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sábado, 9 de março de 2019

Reflexões pós Dia Internacional da Mulher


Ontem a comunicação social falou amplamente no Dia Internacional da Mulher e no tema sempre tão presente da violência doméstica. Tive a oportunidade de ler nas redes sociais alguns comentários que me deixaram com a estranha sensação de que muitas pessoas não sabem o porquê da existência deste dia. Não estou a referir-me aos factos históricos que infelizmente fizeram com que o dia 8 de Março se tenha tornado o Dia Internacional da Mulher, mas sim às causas por detrás dos factos que levaram a esse dia, que são a desigualdade de direitos entre homens e mulheres.

O meu objetivo com este texto não é o de divagar sobre essas desigualdades, pois além destas serem de conhecimento geral, existem já muitos materiais sobre esse assunto. Pretendo apenas lembrar que o Dia Internacional da Mulher não é tanto uma celebração da mulher na sua condição – caso fosse, deveria existir também um Dia Internacional do Homem –, mas um dia para relembrar que os direitos entre homens e mulheres ainda não são os mesmos, talvez, principalmente, porque a sociedade no seu conjunto ainda não tenha evoluído o suficiente para perceber que homens e mulheres são diferentes, mas iguais.

A mentalidade é o mais difícil de mudar. E as nossas raízes familiares têm aí um papel muito importante, apesar de nem sempre definidor. Venho de uma família em que as mulheres sempre foram bem tratadas. Tanto o meu pai, como os meus dois avôs, e mesmo os meus quatro bisavôs, segundo me foi contado, tratavam as suas mulheres como iguais. Quero dizer com isto que, a nível familiar, nunca notei nenhuma diferença de tratamento, no respeito, ou na percepção do meu valor pessoal pelo facto de ser mulher. Pelo contrário, por exemplo, sempre senti que o meu pai esperava tanto de mim que me fazia sentir que não era o suficiente, que podia sempre ser e fazer melhor. Agora que já não o tenho, vejo cada vez mais que o facto do meu pai esperar sempre cada mais e melhor de mim significava que não havia para ele qualquer diferença ligada ao meu género: para ele eu tinha plenas capacidades enquanto mulher, de ser o melhor que eu puder ser e ultrapassar os meus próprios limites, porque as nossas capacidades têm a ver com a nossa humanidade, não com o nosso género. 

Por esse motivo, só a partir de certa altura na minha adolescência me apercebi de que a experiência de muitas mulheres à minha volta, e pelo mundo, era bem outra. E esse facto foi incompreensível para mim – ainda o é. Sabemos que há razões físicas e fisiológicas, históricas e psicológicas que ajudam a explicar as causas que estão na origem desta percepção e diferença de tratamento. Mas que motivos levam a que, ainda hoje existam tantos homens e mulheres – mulheres, sim - que acreditam que as mulheres são inferiores? Os motivos são demasiado complexos para aqui serem abordados, mas permitam-me dizer algo a este respeito.

Quando falamos de homens e mulheres, falamos da humanidade. Falamos de seres humanos, seres humanos que têm géneros diferentes, o que nos permite continuarmos enquanto espécie. Sem uns, não existiriam os outros, pelo que diferenças de valoração não fazem sentido. Se uma mulher e um homem trabalham durante o mesmo tempo e realizam o mesmo trabalho, o pagamento pelo seu trabalho deverá ser igual. Qualquer pessoa com capacidades de raciocínio básicas deverá concluir isso como algo lógico, acredito. 

E na esfera das relações pessoais, há algo de essencial a lembrar: cada ser humano, independentemente do seu género, é livre de fazer as suas próprias escolhas. Um relacionamento, mesmo um casamento, não é um contrato de posse – foi em tempos, já não é – e quando acaba, acaba. Um ser humano que precisa de fazer mal a outro para lidar com a dor da sua perda, e a dor de perceber que “ninguém é de ninguém”, é uma pessoa fraca e incapaz, pois não consegue aceitar que o seu poder pessoal não se mede pelo poder que tem sobre os outros, mas pelo poder que tem sobre si próprio e de realizar plenamente as suas capacidades pessoais. Que chegue o dia em que o Dia Internacional da Mulher não seja mais necessário, porque esse será o dia em percebemos finalmente que somos diferentes, mas somos iguais.

Vera Vieira da Silva

domingo, 11 de março de 2018

A Busca do Silêncio

Pico, Açores | Julho de 1992

Quando tinha 9 anos, numa viagem aos Açores, tentei subir o Pico com o meu pai. Não chegámos ao cume, mas a experiência que tive com o "Silêncio" e o que esta me ensinou marcaram-me para sempre.

Os vulcões fascinaram-me desde muito pequena. Numa altura em que devorava informação sobre vulcanologia, uma viagem até aos Açores, nomeadamente com a perspectiva de uma visita ao Pico, deixou-me muito entusiasmada. Por isso não me importei nada de acordar de madrugada naquele dia, para começar a longa subida até ao cume do Pico. Depois de tantos anos as memórias vão-se esbatendo, mas lembro-me claramente da vontade e da curiosidade que sentia, como se aquela caminhada fosse algo de mágico.

A caminho, lembro-me das diferentes cores da lava solidificada à superfície e misturadas com o verde das ervas, dos antigos canais de lava perfeitamente desenhados - alguns de dimensões consideráveis - e expostos pelo tempo, com fracturas que permitiam ver o seu interior. Lembro-me ainda de um buraco imenso - talvez um enorme canal de lava - de tal profundidade que as pedras que atirámos para dentro dele nunca mais se ouviram, como se o buraco não tivesse fundo. Estas experiências foram ainda mais impressionantes do que esperava, mas o que realmente me marcou foi o silêncio que ouvi naquele lugar.

O silêncio que ouvi no Pico não foi um silêncio qualquer, nem uma mera ausência de sons. Nunca deixei de ouvir o zumbido de insectos, as vaquinhas que mugiam ao longe ou o ocasional soprar do vento. O silêncio de que falo é um silêncio descritível, mas inexplicável. Lembro-me de o descrever aos meus pais como um silêncio que fazia "barulho". Era como um som sem som, que vibrava nos meus ouvidos e no meu corpo e que co-existia com os sons da natureza, apesar de distinto destes. Muitas vezes identificamos o silêncio com um vazio, mas este som era "cheio", quase palpável. Um som que era uma presença e não uma ausência. Apesar da minha tenra idade na altura, senti aquela experiência no Pico como algo de misterioso e espiritual. 

Aquele silêncio do Pico marcou-me de tal maneira, que mesmo passados cerca de 25 anos, lembro-me regularmente dele e falo com frequência nesta experiência a outras pessoas. É um silêncio que busco constantemente noutros lugares. O mais próximo deste silêncio é o que sinto quando estou no meio da natureza, admirando a sua perfeição, ou por vezes quando estou em silêncio comigo mesma.

A experiência que tive nos Açores tornou-se para mim uma espécie de símbolo de um "Silêncio" que quase todos procuramos, que não é a ausência de som mas sim a procura de um sentido e de uma pertença a algo muito maior que nós mesmos, um Mistério que não compreendemos, e que reside dentro e fora de nós. Que possamos todos aprender a ouvir essa voz do Silêncio. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Medo


Por vezes, somos autênticos escravos do que não dizemos, não fazemos e do que não temos coragem de ser... por medo.

Precisamos de enfrentar o nosso deserto interior - os nossos medos - para descobrirmos que a solidão que tanto temíamos afinal não nos faz sentir sozinhos e que o deserto interior pode ser um vale fértil, um oásis, pode ser o que quisermos - e a paz que essa descoberta origina, vem do facto de sabermos que não estamos a fugir de nós mesmos, nem dos nossos medos, apesar das críticas.

Seguindo a linha de pensamento de Aristóteles, que acompanha esta publicação, quando temos coragem de enfrentar os nosso medos e de nos mexermos - remexendo tudo à nossa volta - há pessoas que não vão gostar, que vão criticar-nos, por vezes simplesmente porque, ao estarmos a enfrentar os nossos medos, estamos a lembrá-las de que não estão a enfrentar os seus... afinal, somos todos os espelhos uns dos outros. 

Enquanto tivermos medos de críticas, vamos fugir, vamos esconder-nos de nós próprios, vai haver muita frustração e muitos enganos. E tudo aquilo que poderíamos trazer de positivo e útil a este mundo, vai ficar por fazer. É um desperdício tremendo, porque a Vida tem tanto mais para nos dar - e nós tanto mais para dar à Vida.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A Foreigner's View on the 2016 USA Elections: Whatever you do, don't vote for Donald Trump!


I am not an American citizen, and I don't live in the United States of America, but I going to tell you what I see from where I stand, because it's unbelievable to me how someone like Donald Trump has gotten as far as becoming a candidate to the White House, a potential president of the USA. As a citizen of this world, and someone who is worried about the outcome of these elections, I feel I have a duty to say something about what is happening.

For the last couple of weeks I have read a lot about both candidates and I've watched a lot of videos - including the presidential debates - and I still can't believe someone like Donald Trump is running for president. I confess I'm frightened by the prospect of these elections because their results will affect not just the USA, but the entire world: international politics, economy, the refugee crisis, etc. Because the available information is too much, I'm just going to focus on the present, the aftermath of the second presidential debate.

A President should be someone you can look up to, someone who has vision, who tries to find sensible and intelligent solutions to complex problems, someone who is able to inspire and connect to people - from all backgrounds - not someone who thinks he is smart for avoiding taxes. And if that wasn't enough, there's that "locker room talk" (that many athletes have said is not the typical locker room conversation)... Donald Trump said he is sorry for that and excused himself by saying he has never said he is a perfect man. We'll, he is not supposed to be perfect - no one is - but he is supposed to be better that most, and possess those qualities I've mentioned above, which he lacks.

Speaking of which, a President should be someone who serves as an example, because, whether they want to or not, they turn into role models: so I ask those still thinking on voting for Trump, do you want your future president to be a person who criticizes and makes fun of people because of their nationality, religion, colour, gender, disabilities or physical appearance? You all know the specific cases I'm referring to, so I won't repeat them here. Also, Trump incites and cultivates fear - specially islamophobia - and violent behaviour, even telling his supporters to punch the protesters at his rallies because afterwards he would bail them out of jail.

Also, although Donald Trump said he was sorry for his disgusting and sickening comments about kissing and touching women without their consent, he dismissed them as "locker room talk". Well, it's not, and that behaviour it not only low, deplorable and unrespectful - specially for a presidential candidate - it's harassment. Apologizing doesn't make it right. Is this person fit to represent your country?!

Many of his supporters defend him by stating that, unlike other politicians, he speaks from the heart: even if that was true, what is it worth, speaking from the heart, when that heart belongs to someone who lacks basic decency?

On the 8th November, remember: even if you don't particularly empathise with the other candidate, Hillary Clinton, you will not just be choosing between two candidates or political parties, you will voting for the possibility of having someone like Donald Trump as the president of the United States of America. For the good of us all, don't let that happen.



Vera Vieira da Silva

Portuguese citizen and citizen of the World





terça-feira, 14 de junho de 2016

Na presença das Runas

Ver as Runas com os meus olhos, sentir com as minhas mãos os contornos dos familiares símbolos gravados na pedra há pelo menos um milhar de anos, retirando com os dedos a poeira que se acumulou nas reentrâncias para confirmar de que runa se tratava, foi uma experiência  profundamente significativa para mim. 

Em Skansen, na Suécia, com uma das primeiras
pedras rúnicas que vi, conhecida pelo nome de Ölstastenen.
Estar pela primeira vez na presença das Runas foi como estar perante um portal do Tempo. Senti-me suspensa, apenas sentindo a força e o magnetismo daqueles símbolos há tanto tempo gravados por quem os utilizava, e que até aquele momento eu apenas tinha conhecido e estudado por livros e imagens. Mesmo utilizando regularmente as Runas enquanto oráculo, nunca as tinha sentido como tão "reais"... talvez nunca me tivesse sentido tão ligada a elas até aquele momento. Ao ver e tocar nas Runas, senti uma ligação profunda a elas, senti que faziam parte de mim. Não sei como explicá-lo de outra forma.

As Runas, utilizadas desde 250 a.C., são um sistema de escrita avançado: além de cada letra/runa ter um valor fonético que em conjunto com outras letras/runas forma palavras com significados específicos, cada letra/runa tem também um valor em si mesma, isoladamente. Assim, cada letra dos alfabetos rúnicos está associada a uma força da natureza (relâmpago, árvore, animal, fruto, etc) e/ou um princípio cósmico, geralmente personificada num deus do panteão nórdico. 

Outra pedra rúnica em Skansen
Os antigos povos nórdicos falavam línguas que estão na origem das actuais línguas germânicas (alemão, inglês, sueco, dinamarquês, norueguês, etc) e essa influência e semelhança entre elas é bem visível se compararmos, por exemplo, os nomes dos dias da semana nestas línguas, que correspondem também aos nomes de alguns dos principais deuses nórdicos. 
As línguas proto-germânicas eram amplamente faladas, mas o significado oculto em cada símbolo era conhecido apenas por alguns, segundo se crê, os chamados "druidas", a quem os chefes das tribos recorriam para obter o conselho deste oráculo relativamente a decisões importantes que precisavam de tomar. 

Pormenor da mesma pedra rúnica, com as
runas Nauthiz, Wunjo e Uruz bem visíveis.  
Cada runa, ou seja, cada letra dos alfabetos rúnicos - sendo o Elder Futhark o mais antigo e aquele que utilizo - tem assim um som, um nome, uma grafia e um significado. Muito além de uma letra, uma Runa é a expressão simbólica de um poder ou princípio cósmico, cuja representação é pictográfica e inspirada na Natureza e na sua imensa sabedoria.

Um agradecimento muito especial 
à minha mãe, Helena, que possibilitou 
esta experiência tão importante para mim. 

Vera Vieira da Silva

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sábado, 14 de maio de 2016

Janis

"On stage I make love to twenty five thousand people; and then I go home alone." 

- Janis Joplin


Ouvi esta citação de Janis Joplin no documentário que saiu recentemente sobre a sua vida, "Little Girl Blue". Esta poderosa afirmação fez-me pensar no assunto durante bastante tempo, porque não percebi o que ela quis dizer. Depois de ver esta actuação de Janis fez-se alguma luz... a entrega dela à música e ao público é algo que impressiona, e emociona. O contraste entre o que se vê neste concerto, e o que acontecia depois deste acabar - ir para casa sozinha - era tremendo. As drogas, que acabaram por a levar tão cedo, eram um refúgio. São sempre um refúgio. Mas Janis foi única e será eterna.





Mais citações interessantes (fonte/source):

"I always wanted to be an artist, whatever that was, like other chicks want to be stewardesses. I read. I painted. I thought."

"Being an intellectual creates a lot of questions and no answers."

"If I hold back, I'm no good. I'm no good. I'd rather be good sometimes, than holding back all the time."

"When I sing, I feel like when you're first in love. It's more than sex. It's that point two people can get to they call love, when you really touch someone for the first time, but it's gigantic, multiplied by the whole audience. I feel chills."


- Janis Joplin 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

No comboio

No comboio um senhor idoso com um semblante e uma voz que revelam desespero diz "Dêem-me a vossa moeda mais pequenina pelo amor de Deus". E é tão verdadeiro naquilo que diz e não diz mas se vê, que muitas são as pessoas que lhe estendem a mão e lhe dão a ajuda que pede em moedas de todos os tamanhos, ou em meios-sorrisos ao verem a gratidão misturada de desespero daquele senhor. Enquanto recebe as moedas vai perguntando às pessoas que lhas deram se não lhes faz falta a ajuda que estão a dar. E ainda tem boa memória... diz a alguém "Não lhe faz falta senhor? Na semana passada também me deu uma moeda grande". E fico a pensar como é possível alguém tão pobre ser tão generoso. Gratidão é reconhecer o bem que nos fazem. Generosidade é colocar-nos no lugar de quem dá conscientes do que dar pode significar na vida dessa pessoa - é uma bela forma de dar.


Vera Vieira da Silva 

" La paz en nuestras manos / Peace in our hands", Cidade do México, México

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Sobre a Abstenção de Votar

É muito triste observar os resultados destas eleições presidenciais e saber que 51,16% dos portugueses decidiram não votar ontem. Quando uma pessoa não vota, não se sabe o porquê, não se sabe se não gostou de nenhum candidato, se é contra o sistema ou se é simplesmente preguiçosa. O voto em branco existe para isso, para mostrarmos a nossa insatisfação de forma prática e palpável. Votar em branco é uma afirmação, não votar não é nada. 

Não votar também é um direito (pelo menos em Portugal), mas quando não se vota, ninguém a não ser o próprio sabe o porquê - e é isso que é triste: quando votamos, votamos por todos, não apenas por nós, votamos pela sociedade que desejamos construir. Quando não votamos, estamos a excluir-nos da sociedade em que vivemos, e não apenas do sistema. E a verdade é que nem do sistema podemos excluir-nos: quer não se goste dos candidatos, quer se seja contra o sistema, o sistema governa-nos e afecta a nossa vida a cada momento. Não podemos fugir dele. Podemos sim, mudá-lo, mas para isso temos de dizer o que queremos ou não queremos. 

Votamos não apenas pelos que morreram no passado para que nós pudéssemos votar hoje, votamos para participar na construção de um futuro em que a nossa vontade tenha sempre uma expressão e um lugar, e para reafirmar que queremos participar na sociedade em que vivemos, da qual todos fazemos parte. 

Que nunca regresse o tempo em que não tenhamos a liberdade de dar a nossa opinião.


Vera Vieira da Silva



domingo, 24 de janeiro de 2016

Plante

"O tempo é algo que não volta atrás. Por isso, plante o seu jardim e decore a sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores."- William Shakespeare

Publicado por Terra nas Mãos - Um Jardim dentro de Casa em Sábado, 23 de Janeiro de 2016

Valquírias


Conta a lenda que quando as Valquírias voavam nos seus cavalos alados as suas armaduras reluziam, provocando um brilho misterioso nos céus, conhecido por "Luzes do Norte", as Auroras Boreais.
Segundo a mitologia nórdica, as Valquírias são guerreiras que voam em cavalos alados, que estão incumbidas de escolher aqueles que vão morrer em combate.
As Valquírias são também responsáveis por levar para Valhala as almas dos valorosos guerreiros que são dignos de entrar nesse grandioso Salão e conviver com os deuses.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O nascimento de uma flor

Quanto tempo demora a nascer uma flor? 

... 24 semanas depois da folha de violeta que cortei da planta-mãe e plantei ter criado as primeiras folhinhas bebés, eis que a planta agora adulta me revela entre as muitas folhas que entretanto nasceram o primeiro pequeno botão de flor que gerou. Aguardava ansiosa por este momento, e está tão perto agora... o desabrochar *



quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Primeiro artigo publicado em papel!

O meu primeiro artigo em papel foi publicado hoje!!! :D

É uma sensação incrível ir a uma banca de jornais e revistas e comprar uma que inclui um artigo nosso!

A revista ZEN Energy já está nas bancas!






segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Artigo #3 na Revista Progredir

O Presente e o Futuro: qual é o lugar dos sonhos?

Esta é a minha contribuição para a Revista Progredir do mês de Outubro, dedicada ao tema "Sonhar", uma reflexão sobre o lugar que os sonhos ocupm na nossa vida. Podem encontrar o meu artigo na página 48 da revista digital ou, em alternativa, neste link.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A Espiritualidade e a “pseudo-espiritualidade”

Artigo publicado no SAPO Lifestyle>Astral aqui

 

A Espiritualidade e a “pseudo-espiritualidade”


Nos dias de hoje tudo à nossa volta insta a uma espiritualidade fácil, rápida e descartável, características que nada têm a ver com o despertar da consciência e que se opõe ao desenvolvimento de uma verdadeira espiritualidade.
NASA/ESA/AURA/Caltech
Não nos enganemos: o caminho da espiritualidade não é fácil, não é uma fase, muito menos uma moda que chega e passa. A espiritualidade é um caminho que se escolhe, um caminho interior rumo ao despertar da nossa consciência, que como o próprio nome indica, tem implícita a concentração e o foco não no materialismo, mas no Espírito que desce e se manifesta na Matéria, animando-a de vida.

Espiritualidade vem do latim “spiritus”, que significa respiração ou sopro. Diz o Dicionário Michaelis, Espírito é o “Princípio animador ou vital que dá vida aos organismos físicos”. Num sentido mais lato, Espírito é aquilo que não tem forma, mas que sendo o Sopro, ou Verbo Divino, cria a Matéria e a anima. Por este raciocínio se depreende que é o Espírito que comanda a Matéria, e assim sendo, tudo o que nesta se manifesta - ou seja, no plano físico - tem a sua causa e princípio no plano espiritual, e não o contrário.

Seguindo esta ideia, a espiritualidade é a busca de respostas sobre os mistérios da Vida e do Cosmos por quem não as encontra no mundo material, no que lhe é explicado pela sociedade, e no que esta, de um modo geral, pratica. Essa busca, quando verdadeira, toma a forma de compromisso pessoal tomado de plena consciência, que implica uma vontade profunda de transformação e superação de si próprio, que necessita de todo o nosso empenho e de uma permanente auto-vigilância para se cumprir.

Cada vez mais nos é vendida a ideia de uma espiritualidade fácil e rápida, que passa por adquirir ou experimentar uma série de produtos e serviços que empregam em abundância termos de conotação espiritual e prometem resolver os nossos problemas, mudar a nossa vida, e ajudar-nos a nos tornarmos ”espirituais” de uma forma mais rápida. Duas coisas: nós já somos espirituais, precisamos é de tornar essa espiritualidade consciente e ativa; a via da espiritualidade não é fácil ou rápida.

A espiritualidade é um caminho longo e progressivo que tem em vista à nossa evolução. Mas não temos possibilidade de saltar etapas desse percurso. Podemos procurar acelerar o nosso desenvolvimento espiritual, o que é algo bem diferente, e que implica maior empenho e vontade, e também maiores desafios e responsabilidades. A evolução é o despertar do nosso potencial latente, do divino em nós. A existência da divindade dentro de nós - e não apenas fora de nós - é uma ideia natural em muitas partes do mundo. Um bom exemplo disso é a saudação nepalesa mais comum, “Namasté”, que significa “O deus que há em mim saúda o deus que há em ti”.

Na espiritualidade, tudo tem a ver com vivenciação, pois esta não pode existir apenas em teoria, em conhecimento não vivenciado ou não aplicado. É o grande Teatro da Vida: é através das muitas experiências pelas quais passamos e de tudo o que vivenciamos ao longo de múltiplas reencarnações, que a nossa consciência vai despertando, que ocorre a transformação interior e a evolução da nossa mónada, ou seja, da nossa essência espiritual. Então, retomando o ponto anterior, não vamos saltar etapas na nossa evolução só por nos rodearmos de experiências momentâneas, símbolos e palavras que não compreendemos. Isso é uma ilusão.

De facto, cada vez mais se utilizam abusivamente palavras e símbolos sagrados sem uma compreensão do que significam, e com propósitos que por vezes nada têm a ver com esse uso, vulgarizando-os. Por vezes os símbolos são utilizados erradamente, invertendo a sua rotação, e fazendo com que o seu significado - e energia gerada - seja o oposto, passando a significar involução em vez de evolução, por exemplo.

Um dos símbolos que mais é confundido - e que ilustra bem o impacto da inversão de um símbolo - é a famosa suástica ou cruz gamada: este é um símbolo milenar, gravado em muitos templos da Índia, do Tibete, da China e de outros países com influência hindu e budista, aparecendo por vezes gravado no peito de estátuas do Buddha. Na sua obra de referência “A Doutrina Secreta”, Helena Petrovna Blavatsky - reconhecida teósofa e cofundadora da Sociedade Teosófica - explicou que a suástica é por excelência um símbolo da Evolução Cósmica.

Por isso, a suástica amplamente utilizada por Hitler que se tornou um símbolo dos ideais do nazismo não é, nem poderia ser, esta suástica, e sim uma suástica deliberadamente invertida - ou sovástica – o que inverte igualmente o seu significado, que passa a ser o de involução e caos em vez de evolução. Comparando a suástica gravada nos templos hindus com o estandarte nazi verificamos facilmente que a segunda é uma inversão da primeira. O movimento verifica-se pelo vértice, e a suástica tem um movimento no sentido dos ponteiros do relógio, enquanto a suástica invertida ou sovástica de Hitler gira no sentido anti-horário.

Antes de se utilizar um símbolo é muito importante começar por estudar a sua origem e significado através de fontes fidedignas, pois há uma imensa quantidade de informação errada, sobretudo na internet. Qualquer símbolo ou palavra representa uma ideia, princípio ou força, e os símbolos tanto são criados para construir como para destruir - a suástica invertida é um dos maiores exemplos disso. Utilizar um símbolo é invocá-lo, tornando presente tudo o que ele representa.

Por isso é preciso muito cuidado na utilização de símbolos e palavras sagradas, para não os vulgarizarmos nem utilizarmos de forma a que possam tornar-se prejudiciais para nós ou para outros, mesmo que tenhamos as melhores intenções. Energia é energia: uma vez posta em movimento, ela vai gerar resultados, independentemente da nossa consciência relativamente à forma como ela se manifesta ou nos influencia.

Por outro lado, ter conhecimento dos símbolos ou das Tradições antigas ou não é garantia alguma de desenvolvimento espiritual. Quem envereda por um caminho espiritual está sujeito ao erro como qualquer outra pessoa, pois todos temos tendências negativas para resolver e transformar em tendências positivas, e o caminho que cada um tem a percorrer é único. A diferença é que, à partida, uma pessoa que deseja transformar-se e procura uma orientação nesse sentido dispõe de uma maior quantidade de ferramentas para (se) trabalhar. Assim, poderá evitar cair em alguns erros mais comuns. Mas tal só acontecerá se houver vontade e for feito um esforço nesse sentido.

Quando as pessoas se comprometem interiormente com um trabalho espiritual para a evolução da sua consciência, e tanto quanto possível auxiliar outros a fazerem o mesmo, não devem esperar que tudo passe a ser perfeito, ou achar que não vão cometer mais erros, nem vão ter mais problemas familiares, nem vão mais ficar desempregados, etc. As coisas não funcionam assim. Vai continuar a acontecer tudo o que for necessário para cumprirmos o nosso caminho e crescermos em consciência através de múltiplas experiências. Às vezes, a perda de um emprego ou o fim de um relacionamento podem ser uma bênção.

Infelizmente, o que tomamos por espiritualidade é muitas vezes uma pseudo-espiritualidade. Algumas pessoas, por exemplo, utilizam os seus conhecimentos e capacidades psíquicas ou intelectuais para cultivarem o seu poder pessoal, para serem adoradas e passarem a ideia de que são criaturas perfeitas, que não cometem erros, nem se enganam, ao mesmo tempo que tratam outras pessoas como inferiores, revelando incoerência, falta de humildade e desrespeito pelos princípios e valores que, em teoria, defendem. Mas mesmo isso faz parte do seu processo pessoal. E em última análise, a “pseudo-espiritualidade” tem a sua utilidade e cumpre o seu papel, nem que seja ajudando-nos a compreender o que a Espiritualidade não é.

A partir do momento em que se inicia um caminho espiritual, verdadeiramente, não há volta atrás. Quando há um despertar da consciência, não há como perder essa consciência, nem é possível continuar a viver como antes se vivia. É como uma morte, seguida de um renascimento: simbolicamente, é mesmo isso que acontece, só não existiu uma morte no plano físico. É como se antes estivéssemos mortos, estando vivos, mas sem viver verdadeiramente. Depois de sentirmos isso dentro de nós, não há como viver da mesma forma.

Concluindo, a Espiritualidade não funciona como um botão on/off, que se acende ou apaga em algumas áreas da nossa vida conforme nos dá jeito. Se a nossa espiritualidade não se manifestar em tudo o que somos e fazemos, em todas as áreas da nossa vida e na nossa relação com os outros, não é de todo espiritualidade. Tudo pode, no fundo, resumir-se numa frase genial que circula atualmente pela internet, de autor desconhecido: “Não adianta fazer yoga e não cumprimentar o porteiro”.

Vera Vieira da Silva

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Uma bolota de presente

O carvalho era uma árvore sagrada para os celtas. A palavra celta para carvalho era "duir", que significa "porta", e "druida" significa "conhecimento do carvalho". As Runas, tão utilizadas pelos druidas, eram habitualmente esculpidas do carvalho. Esta árvore de enorme resistência, longevidade e de porte majestoso está associada ao deus nórdico Thor, deus do trovão - e também ao deus romano Júpiter - por ter tendência a atrair os raios, mas por ser também das poucas árvores que lhes consegue resistir.
Há um ano que procurava uma bolota para plantar, cuidar e ver nascer dela um carvalho. E em plena Lisboa, na Avenida da Liberdade, recebi hoje este presente *
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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A contradição em pessoa

Artigo publlicado no Sapo Lifestyle>Astral aqui

A CONTRADIÇÃO EM PESSOA

Uma pessoa é feita de contradições tremendas, por vezes tão grandes que parecem inconciliáveis. Porque tendemos a dividir as pessoas entre “boas” e “más”, é difícil conciliar estas diferenças, mas necessário: somos luz e sombra… somos a contradição em pessoa.
Umas vezes é surpreendente, outras inacreditável, outras simplesmente enervante, como um ser humano pode ser tão cheio de contradições. Entre aspetos que consideramos positivos e outros que consideramos negativos, torna-se por vezes muito difícil formar uma opinião sobre alguém, ou conhecê-lo verdadeiramente. Mesmo quem conhecemos desde sempre.
Pessoas de grande sensibilidade são por vezes capazes das maiores insensibilidades. Pessoas enérgicas, assertivas e bem-dispostas com a vida podem por vezes manifestar essa mesma energia no combate verbal e na teimosia de fazer valer a sua própria opinião, desconsiderando a opinião dos outros. Pessoas extremamente carinhosas e afetuosas na maioria das circunstâncias podem, quando se sentem magoadas ou atingidas, ser capazes de magoar intencionalmente outros com a mesma intensidade com que geralmente distribuem afeto. E qual destes diferentes aspetos da pessoa é mais verdadeiro? Provavelmente, ambos.
Harmonizar as nossas próprias contradições pessoais pode ser tão desafiador quanto lidar com as contradições dos outros. Agimos de forma diferente em situações diferentes e muitas vezes também agimos de forma diferente em situações idênticas, sem haver uma lógica ou uma razão para isso. Por vezes agimos racionalmente, outras emocionalmente, outras por intuição. Por vezes as nossas ações contradizem-se, e contradizem-nos aos olhos dos outros. Por vezes as diferenças entre o nosso mundo interior e as que revelamos ao exterior são tremendas e confusas até para nós. Anne Frank, por exemplo, escreveu no seu diário que era um feixe de contradições e que se sentia partida em duas.
De facto, somos seres duais, feitos de polaridades, num mundo igualmente polarizado. Estamos todos na Escola da Vida e precisamos de experienciar e vivenciar os vários lados, os diferentes polos, para tomarmos consciência dos múltiplos aspetos que nos compõe e que constituem o mundo em que vivemos, para encontrarmos, aos poucos, o equilíbrio no meio. Sem conhecermos um extremo, não nos seria possível conhecer o outro extremo, nem saber o que é o equilíbrio. "A verdade não seria reconhecida se não existisse a mentira, nem o amor sem a manifestação do ódio" (Henrique José de Souza).
Os opostos e as contradições que observamos em nós, nos outros e no mundo à nossa volta são necessários e essenciais, porque geram um movimento constante que impede a estagnação da nossa aprendizagem. As atribulações que nos fazem experienciar e as dúvidas que nos suscitam não nos permitem ter muitas certezas sobre o que quer que seja – felizmente: quando temos muitas certezas deixamos de aprender. E é mais difícil ter opiniões definitivas, construir teorias ou fazer generalizações quando o que observamos se contradiz; assim a nossa mente mantém uma abertura a diferentes possibilidades, inclusive à de estarmos errados e precisarmos de rever as nossas “certezas”.
Por vezes é realmente difícil gerir os opostos e as contradições que existem dentro e fora de nós, mas é também graças a estes que aumenta a nossa consciência sobre quem somos e sobre o mundo. O contacto com esses diferentes aspetos e os seus extremos permite-nos aos poucos conhecer os contornos do que nos rodeia e nos compõe, que é essencial para que possamos evoluir… e todos estamos em busca de aperfeiçoamento, mesmo que não tenhamos consciência disso. Essa busca manifesta-se na nossa vida disfarçada na mítica busca da “felicidade”. Afinal, o que é a busca de felicidade, senão a busca de uma paz e de uma alegria que só podem vir do equilíbrio interno?
O budismo esotérico explica que todos somos feitos de tendências positivas - skhandas - e tendências negativas – nidhânas -, as últimas das quais precisam de ser trabalhadas, superadas e transformadas em tendências positivas. Também por isso não faz sentido dividir as pessoas pessoas entre boas e más. Talvez um dos maiores ensinamentos que podemos retirar da realidade transitória e contraditória que nos envolve e nos compõe seja esse: o de não fazermos juízos precipitados ou definitivos sobre nada nem ninguém, para melhor ou para pior. Mesmo pessoas consideradas “boas” podem cometer graves erros e pessoas encaradas como “más” podem praticar atos de genuína bondade.
Falando em contradições, Wolfgang Amadeus Mozart, que aos 5 anos de idade já compunha sinfonias e que morreu aos 34 anos de idade deixando uma obra vastíssima, era no entanto conhecido por ser leviano, fútil, ter uma linguagem rude e exagerar na bebida, o que acabou por matá-lo. Diz-se também que Ludwig Van Beethoven era arrogante, bruto e agressivo no trato, ao ponto de não cumprimentar as pessoas que lhe dirigiam a palavra na rua (antes de ter ficado surdo). No entanto, ambos são autores de algumas das mais belas melodias de sempre e são reconhecidos mundialmente como dois dos melhores compositores de todos os tempos. Estes aspetos menos conhecidos de Mozart e Beethoven não diminuem em nada a sua grandeza, mas faziam parte deles tanto quanto o seu génio.
É mais complicado ainda quando falamos das contradições de pessoas que cometeram actos indiscutivelmente maus e criminosos. Um bom exemplo de contradições extremas ao ponto de parecerem inacreditáveis, são os relatos que nos chegaram de sobreviventes dos campos de concentração nazis, de acordo com os quais muitos dos oficiais SS choravam de emoção ao ouvir música clássica… sim, os mesmos que matavam e espancavam os prisioneiros, aparentemente incapazes de qualquer sensibilidade, empatia por outro ser humano, ou de se compadecerem dele. O que significa uma contradição destas? Como se explica?
A história mostra-nos que os perpetradores de algumas das maiores atrocidades que o mundo conheceu estavam geralmente convencidos de que estavam a fazer o correto, o necessário, ou em alguns casos o “mal menor”. Muitos deles poderiam até ser bons pais, bons maridos, amigos dos seus amigos ou carinhosos com os seus animais de estimação, desde que tudo correspondesse aos seus ideais e crenças pessoais. Quando não correspondia, é que os seus aspetos mais obscuros vinham ao de cima, manifestando-se frequentemente no fanatismo ideológico ou religioso e destruindo tudo à sua passagem.
Apesar de todos possuirmos luz e sombra dentro de nós, é inquestionável que existem pessoas com tendências maioritariamente negativas, capazes de cometer atos desumanos e da maior crueldade. Felizmente, existem outras pessoas, com tendências extraordinariamente positivas, que nos inspiram, orientam e alargam os nossos horizontes. Contudo, a generalidade das pessoas parece possuir tendências positivas e negativas em quantidades semelhantes. O estado do mundo é talvez o maior barómetro e a maior evidência de que existe luz e sombra dentro de todos nós.
Esses diferentes aspetos, por mais que pareçam não encaixar nem fazer sentido, têm de ser conciliáveis: o mundo é, afinal, simultaneamente maravilhoso e tenebroso, um reflexo do estado evolutivo da humanidade. E apesar de parecer que pouco podemos fazer para torná-lo melhor, podemos sempre assumir o compromisso pessoal de fazer o que nos for possível para aumentar a nossa parcela de luz e consciência, iluminando e inspirando os que nos rodeiam tanto quanto possível. O mundo e a humanidade agradecerão.
Vera Vieira da Silva

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Runa de Odin


Há uma runa em branco que pessoalmente considero muito especial. Esta runa, chamada geralmente de runa de Odin ou runa do Destino, não é considerada por muitos estudiosos das Runas e praticantes desta arte. Sendo uma runa em branco, à partida não poderia existir em tempos longínquos, quando as Runas que compõem este alfabeto sagrado para os nórdicos eram gravadas em pedras, formando palavras e ideias, transmitindo mensagens, invocando poderes e forças cósmicas. Contudo, quando as Runas são gravadas individualmente em pedras e lançadas com o objectivo de compreender um evento na vida de alguém ou fazer previsões, há que criar espaço para o que nem as Runas podem dizer... 

Geralmente, quando esta poderosa runa - de Odin ou do Destino - aparece num lançamento, ela diz-nos que o que está a passar-se na nossa vida, relativamente ao assunto específico sobre o qual estamos a inquirir, tem de acontecer, pois é necessário para a nossa evolução. Esta runa diz-nos que a experiência por que estamos a passar vai trazer ao de cima e obrigar-nos a enfrentar os nossos maiores medos - solidão, abandono, incapacidade, perda de recursos, etc.. - e que vão haver mudanças tremendas na nossa vida, ou pelo menos na forma como vamos passar a vivê-la e encará-la. Dependo das outras runas que saírem num lançamento, esta runa pode servir como um alerta, que nos diz que não devemos fazer mais perguntas sobre o assunto. 

Para além do significado que geralmente lhe é atribuído, há algo nesta runa que considero tão ou mais importante, ligado à ideia de espaço que mencionei em cima... Esta runa cria espaço - ela é o vazio, cheio de possibilidades. O que cabe no vazio? No vazio cabe tudo e tudo é possível. É preciso confiar na sabedoria da Vida, e em nós mesmos, para manifestar as possibilidades contidas dentro de nós, dando-lhes forma, concretizando-as. Para cumprirmos os desígnios da nossa vinda aqui - e nos cumprirmos - temos de criar espaço para o vazio grávido de tudo o que somos e podemos ser, se acreditarmos e agirmos para concretizá-lo.  


quarta-feira, 22 de julho de 2015

Gebo


Para os antigos nórdicos a generosidade era a maior das virtudes. Mas os nórdicos acreditavam também que não devemos dar demais, porque uma dádiva exige outra dádiva, e porque é essa reciprocidade que mantém o ciclo da generosidade.

Dar, sim, mas não dar mais do que podemos e temos para dar, porque aí não teremos mais para nós, nem para mais ninguém.

Por isso a Runa Gebo - que representa este arquétipo - significa dar e também receber, em equilíbrio, e pode manifestar-se de diversas formas (amor correspondido, amizade verdadeira, conexão com o divino em nós, generosidade, presentes).

[Vera Vieira da Silva]