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sexta-feira, 2 de março de 2018

Templo de Palavras

Com alegria informo que no próximo dia 3 de Março, às 15h30, a Editorial Minerva vai fazer a sessão de apresentação da Antologia Poética "Templo de Palavras", nº5, que inclui quatro poemas da minha autoria. O local será a Biblioteca Municipal D. Dinis, em Odivelas. Será uma honra poder contar com a vossa presença.




quarta-feira, 11 de maio de 2016

Evolução


"Evolução"

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...

Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

Antero de Quental, in "Sonetos"



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Almada Negreiros

«Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam escritas, só faltava uma coisa - salvar a humanidade».

A Invenção do Dia Claro, de José de Almada Negreiros (1921)

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Gebo



" (...) True partnership can only be achieved by separate and whole beings who retain their separateness even in unity and uniting. Remember to let the winds of Heaven dance between you."

- about the rune Gebo

in The Book of Runes by Ralph Blum

domingo, 11 de novembro de 2012

Jane Eyre

Jane Eyre:"Do you think that because I am poor, plain, obscure, and little that I am souless and heartless? I have as much soul as you and full as much heart. And if God had possessed me with beauty and wealth, I could make it as hard for you to leave me as I to leave you... I'm not speaking to you through mortal flesh. It is my spirit that addresses your spirit, as it passes through the grave and stood at God's feet equal. As we are. 

Rochester: [taking her hand] As we are. 

Jane Eyre: [trying to pull away] I am a free human being with an independent will, which I now exert to leave you. 

Rochester: Than let you will decide your destiny. I offer you my hand, my heart. Jane, I ask you too pass through life at my side. You are my equal, my likeness... Will you marry me?"



 "Jane Eyre" (2011)

(baseado no romance de Charlotte Brontë)

terça-feira, 27 de abril de 2010

Tuatha Dé Danann


"If on a summer's night a wreath of light glittered on the grass of a meadow, wise mortals drew away. The light was a fairy ring of elfin dancers, and the man or the maid who stepped within its glow would be imprisioned in their world."


The Enchanted World: Fairies and Elves


Desenho: E.R. Hughes


* os vossos comentários são muito bem-vindos! *

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Desafio


Este desafio foi-me atribuído pela Nefertiti do blog "Universo Dançante". O desafio consiste em:


1) Agarrar o livro mais próximo;
2) Abrir na página 161;
3) Procurar a 5ª frase completa;
4) Colocar a frase no blog;
5) Indicar 5 pessoas para continuar a tarefa
;





Então fui buscar o livro que está neste momento à minha cabeceira, que se chama "Eragon", de Christopher Paolini. Resolvi colocar também a segunda frase porque neste caso colocar apenas a primeira frase completa não faria muito sentido, ou melhor, não se perceberia o sentido. Estou a ler a versão original em inglês, e a 5ª frase começa aqui:

«When is bowl was empty, Eragon silently picked up his bow and went to Saphira. Brom said "Now, remember, grip with your knees, guide her with your thoughts, and stay as flat as you can on her back. Nothing will go wrong if you dont't panic".»

Em português será mais ou menos isto:

«"Quando a sua malga ficou vazia, Eragon pegou silenciosamente no seu arco e foi ter com Saphira. Brom disse "Agora, lembra-te, agarra-te com os teus joelhos, guia-a com os teus pensamentos, e mantém-te tão direito quanto possível no dorso dela. Nada correrá mal se não entrares em pânico".»

Esta é a cena em que Brom está a ensinar Eragon como voar no dragão Saphira. É engraçado como esta frase final sobre não entrar em pânico é algo que parece tão óbvio e tão simples mas que tantas vezes nos esquecemos. Se entramos em pânico deixamos de pensar com clareza e aí as coisas podem precipitar-se. Mas se mantivermos a calma conseguimos manter-nos alerta e com a capacidade de lidar com a situação da melhor maneira que for possível, independentemente do que acontecer.


Obrigada por este desafio Nefertiti, muito giro! :)




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sexta-feira, 20 de março de 2009

Primavera


Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira

E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma

Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

Alberto Caeiro







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domingo, 4 de janeiro de 2009

O Guardador de Rebanhos



Da mais alta janela da minha casa

Com um lenço branco digo adeus

Aos meus versos que partem para a humanidade.


E não estou alegre nem triste.

Esse é o destino dos versos.

Escrevi-os e devo mostrá-los a todos

Porque não posso fazer o contrário

Como uma flor não pode esconder a cor,

Nem o rio esconder que corre,

Nem a árvore esconder que dá fruto.


Ei-los que já vão longe como que na diligência

E eu sem querer sinto pena

Como uma dor no corpo.


Quem sabe quem os lerá?

Quem sabe a que mãos irão?


Flor, colheu-me o meu destino para os olhos.

Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas.

Rio, o destino da minha água era não ficar em mim.

Submeto-me e sinto-me quase alegre,

Quase alegre como quem se cansa de estar triste.


Ide, ide de mim!

Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza.


Murcha a flor e o seu pó dura para sempre.

Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a

que foi sua.


Passo e fico, como o Universo.



Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos (Poema XLVIII)

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O Silêncio

"Ficamos sentados em silêncio a observar o mundo à nossa volta. Levou-nos uma vida a aprender isto. Parece que os velhos são capazes de ficar sentados um ao lado do outro sem dizerem nada e, ainda assim, satisfeitos. Os jovens, activos e impacientes, têm sempre que quebrar o silêncio. É um desperdício, porque o silêncio é puro. O silêncio é sagrado. Une as pessoas porque só os que se dão bem uns com os outros se podem sentar juntos sem falar. É este o grande paradoxo".




The Notebook (O Diário da nossa Paixão), Nicholas Sparks


Foto de Ney Bravo






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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A menina gotinha de água

Este é um excerto de uma das minhas historinhas preferidas quando era pequenininha...



"Era uma vez
uma menina
chamada
Gotinha de Água.




A menina
Gotinha de Água
vivia
no mar sem fim.
E era linda,
tão linda,
vestida de esmeralda
e luar.
Ora no fundo,
ora nas vagas
coberta de espuma,
ela brincava
com suas irmãs.
Brincava
com os peixinhos,
dava-lhes beijinhos
e beliscões,
e fugia a rir
por entre as algas,
e jogava
às escondidas
com as anémonas,
que são as flores
de mil cores
que há no mar.
As vezes,
vinha até à praia
e beijava
as pernas
e os cabelos
dos meninos.
Depois,
a rir
e a cantar
ia de novo
para o mar,
lá para o largo
ver as baleias
e os navios.
E a menina
Gotinha de Água,
vestida
de esmeralda
e luar,
e tão pequenina,
a força que ela tinha
de mãos dadas
às suas irmãzinhas!
Todas juntas
eram o Mar."




Papiano Carlos, "A Meninha Gotinha de Água", 1987





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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

*



Tenho tanto sentimento

Que é frequente persuadir-me

De que sou sentimental,

Mas reconheço, ao medir-me,

Que tudo isso é pensamento,

Que não senti afinal.


Temos, todos que vivemos,

Uma vida que é vivida,

E outra vida que é pensada,

E a única vida que temos

É essa que é dividida

Entre a verdadeira e a errada.


Qual porém é verdadeira

E qual errada, ninguém

Nos saberá explicar;

E vivemos de maneira

Que a vida que a gente tem

É a que tem de pensar.


Fernando Pessoa


em "Antologia Poética"



Desenho de Mary GrandPré


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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Fala a Loucura

"De mim não esperem, nem definições, nem frases declamatórias. Nada pareceria mais deslocado. Definir-me, seria limitar-me, e a minha força não tem limites. Dividir-me, seria distinguir os diferentes cultos que me prestam, e eu sou igualmente adorada por toda a Terra. E, além disso, de que serviria dar-vos uma definição, um retrato ideal de mim própria, que não se pareceria mais comigo do que a minha própria sombra, visto que na vossa presença tendes o original?
Sou, portanto, como vedes, a verdadeira doadora de bens, essa loucura a que os latinos chamavam Stultitia e os gregos Moria (...). Em mim não pode haver arrebiques nem dissimulações, e nunca o meu rosto traduz um sentimento que eu não traga no coração. Enfim, sou de tal modo semelhante a mim própria, que ninguém me saberia ocultar, nem mesmo os que pretendem representar o papel de doutos e que mais desejam passar por tal."


O Elogio da Loucura
, Erasmo de Roterdão

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quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Entre o sono e o sonho



Entre o sono e o sonho

Entre mim e o que em mim

É o quem eu me suponho,

Corre um rio sem fim.


Passou por outras margens,

Diversas mais além,

Naquelas várias viagens

Que todo o rio tem.


Chegou onde hoje habito

A casa que hoje sou.

Passa, se eu me medito;

Se desperto, passou.


E quem me sinto e morre

No que me liga a mim

Dorme onde o rio corre -

Esse rio sem fim.


Fernando Pessoa, "Antologia Poética"



Water-Lillies
, Claude Monet


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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O Principezinho


A história d' O Principezinho de A. Saint-Exupéry é um dos meus livros preferidos. Este desenho e todos os que estão no livro são maravilhosos... e são aguarelas do próprio autor! Há uma outra frase da qual me lembro muito: "Somos responsáveis por aqueles que cativamos". Talvez nunca tivesse pensado nisso deste modo... mas agora acredito que esta é uma grande verdade. Aqueles que cativamos confiam em nós, procuram-nos para os ouvirmos, para os aconselharmos. Além disso ser uma grande prova de carinho e de confiança em nós, é uma grande responsabilidade, pois é uma forma de colocarem os seus corações nas nossas mãos, esperando apenas serem compreendidos e aceites como são. Como agimos diante disso pode não ser determinante para quem cativamos - nem deve ser, porque o nosso caminho deve ser escolhido por nós - mas não deixa de ser uma influência e por isso uma responsabilidade.

Porque acham que somos responsáveis por aqueles que cativamos? Pode ser até que achem que não... e porque acham isso? Como digo sempre abaixo, agradeço muito que partilhem comigo - e conosco - as vossas opiniões. É sabendo o que cada um pensa que mais podemos aprender, pois cada um tem a sua perspectiva, que é única e que mais ninguém pode ver.


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domingo, 13 de julho de 2008

Avalon



"A voz de Taliesin soou grave e terna:

- Sabeis qual é o meu desejo mais querido, meu senhor e rei?

-[disse Artur] Qual, Senhor Merlin?

-Que um dia, não agora - pois a terra não está preparada para isso, nem o estão aqueles que seguem Cristo - mas um dia, os Druidas e os padres adorem juntos; que no interior da grande igreja de todos, a Eucaristia sagrada deles seja celebrada com aquele cálice e aquele prato, para guardarem o pão e o vinho como símbolo de que todos os Deuses são Um"


in "As Brumas de Avalon", Marion Zimmer Bradley

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terça-feira, 1 de julho de 2008

Amar é Libertar-se do Medo



Já reparou na quantidade de vezes em que se sente vítima do mundo em que vive? Dado que a maioria de nós percepciona muito do que nos rodeia como desequilibrado, somos tentados a sentirmo-nos irremediavelmente presos numa armadilha. Quando permitimos a nós mesmos pensar que vivemos num ambiente hostil onde temos de sentir medo de sermos magoados ou vitimizados, só nos resta sofrer.
Para alcançar a paz interior de forma consistente, te­mos de percepcionar um mundo onde todos são inocentes.
O que sucede quando escolhemos ver os outros como isentos de culpa? Como podemos começar a olhá-los de forma diferente? Para começar, poderíamos ter de ver tudo o que constitui o passado como irrelevante, excepto o Amor que experienciámos. Poderíamos escolher ver o mundo pela janela do Amor e não pela janela do medo. Isso significaria que então optaríamos selectivamente por ver a beleza e o Amor no mundo, as forças das pessoas e não as suas fraquezas.

Aquilo que vejo fora é um reflexo daquilo que comecei por ver dentro da minha própria mente. Projecto sempre sobre o mundo os pensamentos, sentimentos e atitudes que me preocupam. Posso ver o mundo de forma diferente alte­rando a minha mente sobre aquilo que quero ver.


"Amar é Libertar-se do Medo", Gerald G. Jampolsky



Agradeço à Teresa ter-me "apresentado" este livro... e no momento certo :)




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sábado, 14 de junho de 2008

Boys & Girls




Esta cena é de um dos meus capítulos preferidos do Harry Potter - 'The Yule Ball' - mais exactamente do 4º livro, "Goblet of Fire "(O Cálice de Fogo). Quando a li pela primeira vez nem conseguia parar de rir, mas tinha ao mesmo tempo uma estranha vontade de chorar ... É que esta cena ilustra muito bem os receios e as inseguranças dos adolescentes, os seus conflitos - internos e externos - a descoberta de novos sentimentos - e a incapacidade de lidar com eles - e tudo isso com um enorme sentido de humor, visão e sensibilidade! J.K.Rowling é uma grande contadora de histórias.



A crise de ciúmes do Ron quando vê Hermione a dançar com o seu (ex)ídolo de Quidditch, Viktor Krum, é uma graça. Mas podia ser com qualquer outro, Ron tem cíumes de Hermione pelo que sente por ela, que ela sabe, mas ele ainda não se apercebeu disso... como diz J.K.Rowling, "typical boy" ;) Muito cómico!




Outra cena, do livro seguinte, "The Order of the Phoenix" (A Ordem da Fénix), da qual gosto muito. Hermione tenta ajudar Ron e Harry a perceberem um pouco da psicologia feminina...


" 'What's that supposed to mean?' said Ron indignantly. 'What sort of person cries while someone's kissing them?'
'Yeah', said Harry, slightly desperately, 'Who does?'
Hermione looked at the pair of them with an almost pitying expression on her face.
'Don't you understand how Cho's feeling at the moment?' she asked.
'No,' said Harry and Ron together.
Hermione sighed and laid down her quill.
'Well, obviously, she's feeling very sad, because of Cedric dying. Then I expect she's feeling confused because she liked Cedric and now she likes Harry, and she can't work out who she likes best. Then she'll be feeling guilty, thinking it's an insult to Cedric's memory to be kissing Harry at all, and she'll be worrying about what everyone else might say about her if she starts going out with Harry. And she probably can't work out what her feelings towards Harry are, anyway, because he was the one who was with Cedric when Cedric died, so that's all very mixed up and painful. Oh, and she's afraid she's going to be thrown off the Ravenclaw Quidditch team because she's been flying so badly.'
A slightly stunned silence greeted the end of this speech, then Ron said, 'One person can't feel all that at once, they'd explode.'
'Just because you've got the emotional range of a teaspoon doesn't mean we all have,' said Hermione nastily picking up her quill again."


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terça-feira, 3 de junho de 2008

Dá Tempo...



Diz a foto, "Tudo o que é bom leva o seu tempo...

«O Tempo faz as rosas»
Provérbio

Dá tempo
ao
tempo..."





O Jardim Encantado, Anne Geddes

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