O Outono começa hoje às 15h21 no Hemisfério Norte... A precisão horária é do Observatório Astronómico de Lisboa ;)
Uma névoa de Outono o ar raro vela, Cores de meia-cor pairam no céu. O que indistintamente se revela, Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono. Sim, sinto-o eu pelo coração, o como. Mas entre mim e ver há um grande sono. De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual, Mas se for outro, porque é amanhã, Terei outra verdade, universal, E será como esta.
Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo tronco ou ramo na incógnita floresta... Onda, espumei, quebrando-me na aresta Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo Na caverna que ensombra urze e giesta; Ou, monstro primitivo, ergui a testa No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem, e na sombra enorme Vejo, a meus pés, a escada multiforme, Que desce, em espirais, da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro... Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro E aspiro unicamente à liberdade.
Tudo tem a sua estação ... e o Tempo é um Senhor Sábio
Há que saber esperar pelo Tempo, quando ele ainda vem a caminho ... e há que saber deixá-lo ir, quando o Tempo já passou ...
Lindo poema de James Browne, "An Ode to my Litlle Last Leaf" (Um Ode à minha Pequena Última Folha) - The World of James Browne
"An Ode to my Little Last Leaf"
You did well, my little friend,
you stayed with me until the end.
You were loving shade,
while children played. I don't want to let you go, my heart tells me, no. But it is for this very reason, that everything has a season.
"Quando, Lídia, vier o nosso Outono Com o Inverno que há nele, reservemos Um pensamento, não para a futura Primavera, que é de outrem, Nem para o Estio, de quem somos mortos, Senão para o que fica do que passa — O amarelo actual que as folhas vivem E as torna diferentes."
"Amar é assim. É transformar o tempo que não existe em eternidade que persiste. É fogo que arde sem se ver, é gelo que não quer derreter, é água que corre para chover. Amar é assim. É subir uma montanha descalço sem medo de pisar pedra ou vidro, é mergulhar no oceano sem botija de oxigénio, é subir ao céu sem asas. Amar é assim. É perpetuar na eternidade o amor jovem, aquele que não tem idade, é olhar e sorrir, é abraçar e sentir, é morrer depois de viver. Amar é assim. É dizer o quanto te amo agora e sonhar com o quanto te vou amar depois de cada sorriso, é não esquecer o que vivemos mas ficar louco com o que desejamos viver. Amar é assim. É desejar frutos do nosso fruto, é perceber que viver é muito melhor que morrer, mas que morrer depois de viver significará sempre que valeu a pena amar sem medo de te perder. Amar é assim."
Texto: Paulo Costa
Foto: Autor anónimo
Local da foto: Esta foto foi tirada no Parque Natural do Alvão (Trás-os-Montes, Portugal), perto da aldeia de Galegos da Serra, perto ainda da Cascata de Arnal. Pode ainda ver-se um pouco da cidade de Vila Real ao fundo. Um parque a conhecer, e a dar-se a conhecer pelas Fisgas Ermelo, uma das belas maravilhas deste Parque Natural. Para além de dois jovens a beijarem-se, costuma notar-se no lagarto que dorme sobre a sua cauda em baixo das ''cabeças'' dos beijoqueiros.
ENGLISH That’s love. Transforming virtual time into real eternity. Fire that burns invisibly, ice that doesn’t melt, water that runs to rain. That’s love. It’s climbing a mountain barefoot without worrying about hurting your feet on stones or glass; it’s diving without oxygen, flying without wings. That’s love. Perpetuating young love - that has no age, looking and smiling, holding and feeling, dying after living. That’s love.
Text: Paulo Costa
Photography: Anonymous
English version: Peter Kirby-Higgs
Location: This photograph was taken in the Nature Park of Alvão (Trás os Montes, Portugal), near the village of Galegos da Serra, close to the Waterfall of Arnal. In the distance a glimpse of the city of Vila Real. This is a park not to be missed, known for Fisgas Ernelo, one of the wonders of the Park. Apart from the two lovers, note the lizard sleeping undisturbed on his tail beneath the “heads” of the kissers.
Para primeira mensagem de Ano Novo, relembro um poema de Fernando Pessoa, que é sempre bom de recordar...
Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já não me dói,
A antiga e errónea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.
Akhenaton, faraó do antigo Egipto, escreveu as seguintes palavras sobre Aton, o Deus-Sol, representado como um disco solar do qual saem raios que terminam em mãos, como que oferecendo as suas bençãos:
"Respiro o doce sopro Que sai da tua boca, Vejo a beleza do dia, É meu desejo ouvir a sua doce voz, Comparável ao vento do norte Sentir os meus membros revigorados pela vida, Graças a ti. Dá-me as tuas mãos, que têm o teu espírito, Que eu possa recebê-lo, Viver para ele. Chama pelo meu nome na eternidade, Ele não morrerá nunca."
Poema - Alexandre O'Neill Música - Alain Oulman CD - Amália/Vinicius - Editora Valentim de Carvalho Gravação realizada em casa de Amália Rodrigues em Dezembro de 1968 num serão com Vinicius de Moraes, Natália Correia, José Carlos Ary dos Santos e David Mourão-Ferreira (Fonte)
Parece crítico dos homens mas no fundo não é, apenas revela a perspectiva feminina das coisas e aquilo que é preciso ter nascido mulher para sentir e saber.
"Aviso da Lua que Menstrua é um belíssimo poema de Elisa Lucinda sobre a mulher e sobre a relação homem/mulher, interpretado por ela no espetáculo "Parem de falar mal da rotina", apresentado no Teatro dos Bancários, em Brasília, dia 07 de março de 2010" (Fonte: Youtube)
Eu amo tudo o que foi Tudo o que já não é A dor que já não me dói A antiga e errónea fé O ontem que a dor deixou O que deixou alegria Só porque foi, e voou E hoje é já outro dia.
Quando vier a Primavera, Se eu já estiver morto, As flores florirão da mesma maneira E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada. A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria E a Primavera era depois de amanhã, Morreria contente, porque ela era depois de amanhã. Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo? Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo; E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse. Por isso, se morrer agora, morro contente, Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem. Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele. Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências. O que for, quando for, é que será o que é.
* Agradeço à Tânia, que mesmo não me conhecendo me mostrou mais uma estrela a luzir neste Mundo.
Sobre o Sertão
O 'sertão brasileiro' é uma zona de transição entre o Agreste e a Mata dos Cocais, estende-se desde o norte de Minas Gerais até quase toda a região Nordeste do Brasil. Caracteriza-se pelo predomínio do clima semi-árido, com ocasionais períodos de estiagem, razão pela qual essa região é também conhecida como "polígono das secas". A palavra Sertão tem origem durante a colonização do Brasil pelos portugueses. Ao saírem do litoral brasileiro e entarem no interior, perceberam uma grande diferença climática nessa região. Por isso a chamavam de "desertão", ocasionado pelo clima quente e seco. Logo, essa denominação foi sendo entendida como "de sertão", ficando apenas a palavra Sertão. O primeiro processo do país de interiorização ocorreu nessa região, entre os séculos XVI e XVII, com o deslocamento da criação de gado do litoral, devido à pressão exercida pela expansão da lavoura de cana-de-açúcar, que era o principal produto de exportação da economia colonial. A área foi conquistada por povoadores com escassos recursos e o desenvolvimento da pecuária possibilitou o desbravamento nos sertões. Os caminhos de boiadas assim criados permitiram a articulação e o intercâmbio entre o litoral nordestino e o interior, dando origem a diversas cidades.
Fonte do texto sobre o Sertão: Wikipedia
Imagem: "Sertão", aquarela de Mauro Andriole (Fonte aqui)
Relembrando as músicas que mais me marcaram quando era pequenina...
Semprei adorei a Susanne Vega, e esta música é a minha preferida dela, "Gypsy". É também das músicas mais antigas de Susanne, que compôs com apenas 18 anos! A letra é linda, espreitem abaixo...