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domingo, 11 de março de 2018

A Busca do Silêncio

Pico, Açores | Julho de 1992

Quando tinha 9 anos, numa viagem aos Açores, tentei subir o Pico com o meu pai. Não chegámos ao cume, mas a experiência que tive com o "Silêncio" e o que esta me ensinou marcaram-me para sempre.

Os vulcões fascinaram-me desde muito pequena. Numa altura em que devorava informação sobre vulcanologia, uma viagem até aos Açores, nomeadamente com a perspectiva de uma visita ao Pico, deixou-me muito entusiasmada. Por isso não me importei nada de acordar de madrugada naquele dia, para começar a longa subida até ao cume do Pico. Depois de tantos anos as memórias vão-se esbatendo, mas lembro-me claramente da vontade e da curiosidade que sentia, como se aquela caminhada fosse algo de mágico.

A caminho, lembro-me das diferentes cores da lava solidificada à superfície e misturadas com o verde das ervas, dos antigos canais de lava perfeitamente desenhados - alguns de dimensões consideráveis - e expostos pelo tempo, com fracturas que permitiam ver o seu interior. Lembro-me ainda de um buraco imenso - talvez um enorme canal de lava - de tal profundidade que as pedras que atirámos para dentro dele nunca mais se ouviram, como se o buraco não tivesse fundo. Estas experiências foram ainda mais impressionantes do que esperava, mas o que realmente me marcou foi o silêncio que ouvi naquele lugar.

O silêncio que ouvi no Pico não foi um silêncio qualquer, nem uma mera ausência de sons. Nunca deixei de ouvir o zumbido de insectos, as vaquinhas que mugiam ao longe ou o ocasional soprar do vento. O silêncio de que falo é um silêncio descritível, mas inexplicável. Lembro-me de o descrever aos meus pais como um silêncio que fazia "barulho". Era como um som sem som, que vibrava nos meus ouvidos e no meu corpo e que co-existia com os sons da natureza, apesar de distinto destes. Muitas vezes identificamos o silêncio com um vazio, mas este som era "cheio", quase palpável. Um som que era uma presença e não uma ausência. Apesar da minha tenra idade na altura, senti aquela experiência no Pico como algo de misterioso e espiritual. 

Aquele silêncio do Pico marcou-me de tal maneira, que mesmo passados cerca de 25 anos, lembro-me regularmente dele e falo com frequência nesta experiência a outras pessoas. É um silêncio que busco constantemente noutros lugares. O mais próximo deste silêncio é o que sinto quando estou no meio da natureza, admirando a sua perfeição, ou por vezes quando estou em silêncio comigo mesma.

A experiência que tive nos Açores tornou-se para mim uma espécie de símbolo de um "Silêncio" que quase todos procuramos, que não é a ausência de som mas sim a procura de um sentido e de uma pertença a algo muito maior que nós mesmos, um Mistério que não compreendemos, e que reside dentro e fora de nós. Que possamos todos aprender a ouvir essa voz do Silêncio. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Chegou o Outono!

O Outono começa hoje às 15h21 no Hemisfério Norte... A precisão horária é do Observatório Astronómico de Lisboa ;)


Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta.

Fernando Pessoa in "Poesias Inéditas (1930-1935)"



domingo, 24 de janeiro de 2016

Valquírias


Conta a lenda que quando as Valquírias voavam nos seus cavalos alados as suas armaduras reluziam, provocando um brilho misterioso nos céus, conhecido por "Luzes do Norte", as Auroras Boreais.
Segundo a mitologia nórdica, as Valquírias são guerreiras que voam em cavalos alados, que estão incumbidas de escolher aqueles que vão morrer em combate.
As Valquírias são também responsáveis por levar para Valhala as almas dos valorosos guerreiros que são dignos de entrar nesse grandioso Salão e conviver com os deuses.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O nascimento de uma flor

Quanto tempo demora a nascer uma flor? 

... 24 semanas depois da folha de violeta que cortei da planta-mãe e plantei ter criado as primeiras folhinhas bebés, eis que a planta agora adulta me revela entre as muitas folhas que entretanto nasceram o primeiro pequeno botão de flor que gerou. Aguardava ansiosa por este momento, e está tão perto agora... o desabrochar *



quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Uma bolota de presente

O carvalho era uma árvore sagrada para os celtas. A palavra celta para carvalho era "duir", que significa "porta", e "druida" significa "conhecimento do carvalho". As Runas, tão utilizadas pelos druidas, eram habitualmente esculpidas do carvalho. Esta árvore de enorme resistência, longevidade e de porte majestoso está associada ao deus nórdico Thor, deus do trovão - e também ao deus romano Júpiter - por ter tendência a atrair os raios, mas por ser também das poucas árvores que lhes consegue resistir.
Há um ano que procurava uma bolota para plantar, cuidar e ver nascer dela um carvalho. E em plena Lisboa, na Avenida da Liberdade, recebi hoje este presente *
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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Grilo celestial

Um cântico celestial no canto de um grilo...o segredo está no tempo... apenas diminuir a velocidade, desacelerar o ritmo :)
 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Outono



"Quando, Lídia, vier o nosso Outono
Com o Inverno que há nele, reservemos
Um pensamento, não para a futura
Primavera, que é de outrem,
Nem para o Estio, de quem somos mortos,
Senão para o que fica do que passa —
O amarelo actual que as folhas vivem
E as torna diferentes."

Ricardo Reis, in "Odes"
[Fernando Pessoa]




segunda-feira, 15 de setembro de 2014

As Runas #4


Um relâmpago, um animal selvagem ou o curso de um rio - as runas representam elementos, poderes e forças da Natureza, funcionando na sua maioria em polaridades (défice de força ou força excessiva). 

Por exemplo, a água é vida, fertilidade, receptividade, porque tudo recebe, une e dissolve, dando nova vida; assim, a natureza de um rio é fluir... mas se a força é fraca, indica falta de fluidez, intuição em desequilíbrio, falta de criatividade, incapacidade de adaptação...

As Runas ensinam-nos assim, a observar a Natureza com mais atenção, e a integrar em nós o seu Amor-Sabedoria