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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Para que serve um Oráculo?



Depois de cerca de três meses sem escrever, este brotou ontem de dentro de mim a uma velocidade impressionante! :)

Este artigo faz uma reflexão sobre os benefícios da utilização de oráculos como ferramentas de auto-conhecimento (Tarot, Runas, I-Ching, etc). Relaciona também a busca de respostas dentro e fora de nós, com a utilidade/inutilidade de procurar fora algumas respostas e confirmações que só podem vir de dentro, através da experiência e de uma transformação interna que levará a um encontro com nós próprios e com a nossa missão de(sta) vida. Faz ainda referência aos filmes do "Matrix" como exemplo dessa caminhada que todos temos de fazer sozinhos.
 
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Artigo publicado no Sapo Lifestyle>Astral aqui
 

Para que serve um Oráculo?

Um oráculo funciona como um espelho. E como espelho que é, reflete uma imagem, simbólica, de um esclarecimento ou uma pergunta que lhe apresentamos. 
 
Unknown - from Le Musée absolu, Phaidon, 10-2012Silenus holding a lyre (left); demi-god Pan and a nymph sitting on a rock, nursing a goat (centre); woman with coat (right). Fresco of the mystery ritual, right, Villa of the Mysteries, Pompeii, Italy.


Os oráculos são ferramentas de trabalho interior que nos ajudam a organizar e compreender as nossas ideias e as nossas emoções. Tal como acontece com as ferramentas utilizadas em trabalhos puramente físicos, é possível, em maior parte dos casos, encontrar alternativas para realizar o que as Runas, o Tarot, o I-Ching e outros oráculos nos permitem fazer e nos leva a querer utilizá-las: uma delas, é apenas deixar o tempo passar e aprender com ele. A diferença é que estas ferramentas ajudam-nos a acelerar esse processo.

Um oráculo funciona como um espelho. E como espelho que é, reflete uma imagem, simbólica, de um esclarecimento ou uma pergunta que lhe apresentamos. A imagem é simbólica porque funciona com símbolos. Essa representação em linguagem simbólica tem depois de ser descodificada para ser compreendida, pelo próprio ou por alguém que conheça essa linguagem. O que ainda gera alguma confusão e desconfiança relativamente aos oráculos no geral é que estas ferramentas são vistas como algo impossível de ser real, pelo facto de supostamente de nos dar chaves milagrosas para resolvermos todos os nossos problemas e sermos felizes para sempre, e nada disso existe, pelo menos não nesses moldes. Mas já lá vamos.

O mundo dos arquétipos é o mundo dos oráculos. Arquétipos são representações dos ciclos da experiência humana e da sua evolução. No fundo, são símbolos, como outros que podemos desenhar e escrever e que representam ideias e estados mentais ou emocionais. Então o que os oráculos fazem é devolver-nos uma representação simbólica como resposta a uma pergunta que formulámos previamente – a tal imagem simbólica refletida no espelho. Mas não apenas eles. Todos nós somos uma espécie de "antenas" que continuamente emitem e captam energia e magnetismo. Quando trabalhamos com um oráculo, concentramo-nos numa pergunta/ideia específica e os oráculos revelam-nos apenas a imagem simbólica correspondente àquilo que foi lhes foi dirigido.

É simplesmente isso, uma resposta magnética e energética, que nos chega por meio de uma ferramenta física que trabalha com "matéria" não física, e que funciona como um canal entre esses dois mundos. Não é magia, é a lei da Afinidade em ação. Parece-nos magia apenas porque só raramente observamos à nossa volta as muitas outras manifestações desta e de outras leis cósmicas, então as poucas que são visíveis aos nossos olhos parecem-nos algo raro e muito especial. É é especial, apenas não é raro, é a forma como este maravilhoso Universo funciona.

A verdadeira confusão relativamente aos oráculos é a ilusão que existe relativamente ao seu propósito e funcionamento. Nenhum oráculo - nem seja o que for exterior a nós - vai resolver os nossos problemas em nosso lugar. Pode sim, ajudar-nos muito ao nível do auto-conhecimento, trazendo para o nosso consciente conhecimento e informação que já lá está latente mas, claro está, a um nível inconsciente. Um oráculo pode ainda dar-nos uma orientação eficaz em momentos específicos, que pode fazer uma grande diferença em certos momentos, mas não sem que nós nos ajudemos a nós próprios e tenhamos um papel ativo na sua superação e na nossa auto-transformação.
As respostas que qualquer oráculo nos dá são exatamente aquelas que temos de ouvir nesse momento – pois são a correspondência magnética desse instante – mas não necessariamente aquilo que vai acontecer, pois o futuro está em permanente mutação. Não adianta querer chegar o futuro antes do tempo, porque esse só chegará quando for construído por nós. Outros futuros chegarão sempre, se não construirmos o nosso, mas esses são geralmente aqueles que nos fazem mais tarde lamentar o passado e viver de “ses” o resto da vida: “se eu tivesse feito isto”, “se tivesse vivido aquilo…”.
Podemos pedir esclarecimentos a um oráculo sobre o passado, o presente ou o futuro. Mas é geralmente mais útil tentar compreender algo do presente ou um aspeto não resolvido do passado, porque relativamente ao futuro um oráculo só pode apontar uma direção que poderá levar-nos a um determinado caminho ou acontecimento se as tendências do momento se mantiverem. Seja como for, o que é realmente importante na nossa vida nunca nos é dito nem dado assim, “de bandeja”. Tal como o personagem Neo do “Matrix”, se o Oráculo lhe tivesse dito que ele era “O Escolhido” quando este lhe foi apresentado, ele seria o Escolhido na mesma, mas não realizaria a sua missão pois esta seria como que algo exterior a ele, algo não descoberto internamente. Por isso o Oráculo teve de dizer-lhe que ele não era o Escolhido, para que sem esse peso nos ombros ele se pusesse a caminho, vivesse mil e uma aventuras e descobrisse dentro de si próprio quem era - revelando-se a si próprio. Só sabendo, internamente, quem era, ele poderia realizar a sua missão.

Em suma, as respostas de um oráculo estão sempre certas: o momento em que elas nos são dadas é sempre o momento certo para as ouvirmos, pois essa informação vai desencadear uma sequência de acontecimentos que não nos levam necessariamente ao tal “futuro”, mas aproximam-nos da nossa missão, que é o que realmente importa. O que fazemos com essas respostas é responsabilidade nossa. Não podemos ficar à espera que se concretizem, não podemos depender delas, e sobretudo não podemos tentar viver através delas e sonhar com um futuro melhor do que o presente é e do que o passado foi. Isso seria fazer uma ficção da nossa própria vida. Um oráculo funciona assim. Afinal, os oráculos são - como foi dito desde o início - uma ferramenta, um cajado para nos auxiliar no caminho. Mas os peregrinos da vida somos nós.

Vera Vieira da Silva Facebook

Email: v.vieiradasilva@gmail.com

artigo do parceiro: Vera Vieira da Silva

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Primeiro artigo publicado em papel!

O meu primeiro artigo em papel foi publicado hoje!!! :D

É uma sensação incrível ir a uma banca de jornais e revistas e comprar uma que inclui um artigo nosso!

A revista ZEN Energy já está nas bancas!






segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Artigo #3 na Revista Progredir

O Presente e o Futuro: qual é o lugar dos sonhos?

Esta é a minha contribuição para a Revista Progredir do mês de Outubro, dedicada ao tema "Sonhar", uma reflexão sobre o lugar que os sonhos ocupm na nossa vida. Podem encontrar o meu artigo na página 48 da revista digital ou, em alternativa, neste link.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A Espiritualidade e a “pseudo-espiritualidade”

Artigo publicado no SAPO Lifestyle>Astral aqui

 

A Espiritualidade e a “pseudo-espiritualidade”


Nos dias de hoje tudo à nossa volta insta a uma espiritualidade fácil, rápida e descartável, características que nada têm a ver com o despertar da consciência e que se opõe ao desenvolvimento de uma verdadeira espiritualidade.
NASA/ESA/AURA/Caltech
Não nos enganemos: o caminho da espiritualidade não é fácil, não é uma fase, muito menos uma moda que chega e passa. A espiritualidade é um caminho que se escolhe, um caminho interior rumo ao despertar da nossa consciência, que como o próprio nome indica, tem implícita a concentração e o foco não no materialismo, mas no Espírito que desce e se manifesta na Matéria, animando-a de vida.

Espiritualidade vem do latim “spiritus”, que significa respiração ou sopro. Diz o Dicionário Michaelis, Espírito é o “Princípio animador ou vital que dá vida aos organismos físicos”. Num sentido mais lato, Espírito é aquilo que não tem forma, mas que sendo o Sopro, ou Verbo Divino, cria a Matéria e a anima. Por este raciocínio se depreende que é o Espírito que comanda a Matéria, e assim sendo, tudo o que nesta se manifesta - ou seja, no plano físico - tem a sua causa e princípio no plano espiritual, e não o contrário.

Seguindo esta ideia, a espiritualidade é a busca de respostas sobre os mistérios da Vida e do Cosmos por quem não as encontra no mundo material, no que lhe é explicado pela sociedade, e no que esta, de um modo geral, pratica. Essa busca, quando verdadeira, toma a forma de compromisso pessoal tomado de plena consciência, que implica uma vontade profunda de transformação e superação de si próprio, que necessita de todo o nosso empenho e de uma permanente auto-vigilância para se cumprir.

Cada vez mais nos é vendida a ideia de uma espiritualidade fácil e rápida, que passa por adquirir ou experimentar uma série de produtos e serviços que empregam em abundância termos de conotação espiritual e prometem resolver os nossos problemas, mudar a nossa vida, e ajudar-nos a nos tornarmos ”espirituais” de uma forma mais rápida. Duas coisas: nós já somos espirituais, precisamos é de tornar essa espiritualidade consciente e ativa; a via da espiritualidade não é fácil ou rápida.

A espiritualidade é um caminho longo e progressivo que tem em vista à nossa evolução. Mas não temos possibilidade de saltar etapas desse percurso. Podemos procurar acelerar o nosso desenvolvimento espiritual, o que é algo bem diferente, e que implica maior empenho e vontade, e também maiores desafios e responsabilidades. A evolução é o despertar do nosso potencial latente, do divino em nós. A existência da divindade dentro de nós - e não apenas fora de nós - é uma ideia natural em muitas partes do mundo. Um bom exemplo disso é a saudação nepalesa mais comum, “Namasté”, que significa “O deus que há em mim saúda o deus que há em ti”.

Na espiritualidade, tudo tem a ver com vivenciação, pois esta não pode existir apenas em teoria, em conhecimento não vivenciado ou não aplicado. É o grande Teatro da Vida: é através das muitas experiências pelas quais passamos e de tudo o que vivenciamos ao longo de múltiplas reencarnações, que a nossa consciência vai despertando, que ocorre a transformação interior e a evolução da nossa mónada, ou seja, da nossa essência espiritual. Então, retomando o ponto anterior, não vamos saltar etapas na nossa evolução só por nos rodearmos de experiências momentâneas, símbolos e palavras que não compreendemos. Isso é uma ilusão.

De facto, cada vez mais se utilizam abusivamente palavras e símbolos sagrados sem uma compreensão do que significam, e com propósitos que por vezes nada têm a ver com esse uso, vulgarizando-os. Por vezes os símbolos são utilizados erradamente, invertendo a sua rotação, e fazendo com que o seu significado - e energia gerada - seja o oposto, passando a significar involução em vez de evolução, por exemplo.

Um dos símbolos que mais é confundido - e que ilustra bem o impacto da inversão de um símbolo - é a famosa suástica ou cruz gamada: este é um símbolo milenar, gravado em muitos templos da Índia, do Tibete, da China e de outros países com influência hindu e budista, aparecendo por vezes gravado no peito de estátuas do Buddha. Na sua obra de referência “A Doutrina Secreta”, Helena Petrovna Blavatsky - reconhecida teósofa e cofundadora da Sociedade Teosófica - explicou que a suástica é por excelência um símbolo da Evolução Cósmica.

Por isso, a suástica amplamente utilizada por Hitler que se tornou um símbolo dos ideais do nazismo não é, nem poderia ser, esta suástica, e sim uma suástica deliberadamente invertida - ou sovástica – o que inverte igualmente o seu significado, que passa a ser o de involução e caos em vez de evolução. Comparando a suástica gravada nos templos hindus com o estandarte nazi verificamos facilmente que a segunda é uma inversão da primeira. O movimento verifica-se pelo vértice, e a suástica tem um movimento no sentido dos ponteiros do relógio, enquanto a suástica invertida ou sovástica de Hitler gira no sentido anti-horário.

Antes de se utilizar um símbolo é muito importante começar por estudar a sua origem e significado através de fontes fidedignas, pois há uma imensa quantidade de informação errada, sobretudo na internet. Qualquer símbolo ou palavra representa uma ideia, princípio ou força, e os símbolos tanto são criados para construir como para destruir - a suástica invertida é um dos maiores exemplos disso. Utilizar um símbolo é invocá-lo, tornando presente tudo o que ele representa.

Por isso é preciso muito cuidado na utilização de símbolos e palavras sagradas, para não os vulgarizarmos nem utilizarmos de forma a que possam tornar-se prejudiciais para nós ou para outros, mesmo que tenhamos as melhores intenções. Energia é energia: uma vez posta em movimento, ela vai gerar resultados, independentemente da nossa consciência relativamente à forma como ela se manifesta ou nos influencia.

Por outro lado, ter conhecimento dos símbolos ou das Tradições antigas ou não é garantia alguma de desenvolvimento espiritual. Quem envereda por um caminho espiritual está sujeito ao erro como qualquer outra pessoa, pois todos temos tendências negativas para resolver e transformar em tendências positivas, e o caminho que cada um tem a percorrer é único. A diferença é que, à partida, uma pessoa que deseja transformar-se e procura uma orientação nesse sentido dispõe de uma maior quantidade de ferramentas para (se) trabalhar. Assim, poderá evitar cair em alguns erros mais comuns. Mas tal só acontecerá se houver vontade e for feito um esforço nesse sentido.

Quando as pessoas se comprometem interiormente com um trabalho espiritual para a evolução da sua consciência, e tanto quanto possível auxiliar outros a fazerem o mesmo, não devem esperar que tudo passe a ser perfeito, ou achar que não vão cometer mais erros, nem vão ter mais problemas familiares, nem vão mais ficar desempregados, etc. As coisas não funcionam assim. Vai continuar a acontecer tudo o que for necessário para cumprirmos o nosso caminho e crescermos em consciência através de múltiplas experiências. Às vezes, a perda de um emprego ou o fim de um relacionamento podem ser uma bênção.

Infelizmente, o que tomamos por espiritualidade é muitas vezes uma pseudo-espiritualidade. Algumas pessoas, por exemplo, utilizam os seus conhecimentos e capacidades psíquicas ou intelectuais para cultivarem o seu poder pessoal, para serem adoradas e passarem a ideia de que são criaturas perfeitas, que não cometem erros, nem se enganam, ao mesmo tempo que tratam outras pessoas como inferiores, revelando incoerência, falta de humildade e desrespeito pelos princípios e valores que, em teoria, defendem. Mas mesmo isso faz parte do seu processo pessoal. E em última análise, a “pseudo-espiritualidade” tem a sua utilidade e cumpre o seu papel, nem que seja ajudando-nos a compreender o que a Espiritualidade não é.

A partir do momento em que se inicia um caminho espiritual, verdadeiramente, não há volta atrás. Quando há um despertar da consciência, não há como perder essa consciência, nem é possível continuar a viver como antes se vivia. É como uma morte, seguida de um renascimento: simbolicamente, é mesmo isso que acontece, só não existiu uma morte no plano físico. É como se antes estivéssemos mortos, estando vivos, mas sem viver verdadeiramente. Depois de sentirmos isso dentro de nós, não há como viver da mesma forma.

Concluindo, a Espiritualidade não funciona como um botão on/off, que se acende ou apaga em algumas áreas da nossa vida conforme nos dá jeito. Se a nossa espiritualidade não se manifestar em tudo o que somos e fazemos, em todas as áreas da nossa vida e na nossa relação com os outros, não é de todo espiritualidade. Tudo pode, no fundo, resumir-se numa frase genial que circula atualmente pela internet, de autor desconhecido: “Não adianta fazer yoga e não cumprimentar o porteiro”.

Vera Vieira da Silva

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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A contradição em pessoa

Artigo publlicado no Sapo Lifestyle>Astral aqui

A CONTRADIÇÃO EM PESSOA

Uma pessoa é feita de contradições tremendas, por vezes tão grandes que parecem inconciliáveis. Porque tendemos a dividir as pessoas entre “boas” e “más”, é difícil conciliar estas diferenças, mas necessário: somos luz e sombra… somos a contradição em pessoa.
Umas vezes é surpreendente, outras inacreditável, outras simplesmente enervante, como um ser humano pode ser tão cheio de contradições. Entre aspetos que consideramos positivos e outros que consideramos negativos, torna-se por vezes muito difícil formar uma opinião sobre alguém, ou conhecê-lo verdadeiramente. Mesmo quem conhecemos desde sempre.
Pessoas de grande sensibilidade são por vezes capazes das maiores insensibilidades. Pessoas enérgicas, assertivas e bem-dispostas com a vida podem por vezes manifestar essa mesma energia no combate verbal e na teimosia de fazer valer a sua própria opinião, desconsiderando a opinião dos outros. Pessoas extremamente carinhosas e afetuosas na maioria das circunstâncias podem, quando se sentem magoadas ou atingidas, ser capazes de magoar intencionalmente outros com a mesma intensidade com que geralmente distribuem afeto. E qual destes diferentes aspetos da pessoa é mais verdadeiro? Provavelmente, ambos.
Harmonizar as nossas próprias contradições pessoais pode ser tão desafiador quanto lidar com as contradições dos outros. Agimos de forma diferente em situações diferentes e muitas vezes também agimos de forma diferente em situações idênticas, sem haver uma lógica ou uma razão para isso. Por vezes agimos racionalmente, outras emocionalmente, outras por intuição. Por vezes as nossas ações contradizem-se, e contradizem-nos aos olhos dos outros. Por vezes as diferenças entre o nosso mundo interior e as que revelamos ao exterior são tremendas e confusas até para nós. Anne Frank, por exemplo, escreveu no seu diário que era um feixe de contradições e que se sentia partida em duas.
De facto, somos seres duais, feitos de polaridades, num mundo igualmente polarizado. Estamos todos na Escola da Vida e precisamos de experienciar e vivenciar os vários lados, os diferentes polos, para tomarmos consciência dos múltiplos aspetos que nos compõe e que constituem o mundo em que vivemos, para encontrarmos, aos poucos, o equilíbrio no meio. Sem conhecermos um extremo, não nos seria possível conhecer o outro extremo, nem saber o que é o equilíbrio. "A verdade não seria reconhecida se não existisse a mentira, nem o amor sem a manifestação do ódio" (Henrique José de Souza).
Os opostos e as contradições que observamos em nós, nos outros e no mundo à nossa volta são necessários e essenciais, porque geram um movimento constante que impede a estagnação da nossa aprendizagem. As atribulações que nos fazem experienciar e as dúvidas que nos suscitam não nos permitem ter muitas certezas sobre o que quer que seja – felizmente: quando temos muitas certezas deixamos de aprender. E é mais difícil ter opiniões definitivas, construir teorias ou fazer generalizações quando o que observamos se contradiz; assim a nossa mente mantém uma abertura a diferentes possibilidades, inclusive à de estarmos errados e precisarmos de rever as nossas “certezas”.
Por vezes é realmente difícil gerir os opostos e as contradições que existem dentro e fora de nós, mas é também graças a estes que aumenta a nossa consciência sobre quem somos e sobre o mundo. O contacto com esses diferentes aspetos e os seus extremos permite-nos aos poucos conhecer os contornos do que nos rodeia e nos compõe, que é essencial para que possamos evoluir… e todos estamos em busca de aperfeiçoamento, mesmo que não tenhamos consciência disso. Essa busca manifesta-se na nossa vida disfarçada na mítica busca da “felicidade”. Afinal, o que é a busca de felicidade, senão a busca de uma paz e de uma alegria que só podem vir do equilíbrio interno?
O budismo esotérico explica que todos somos feitos de tendências positivas - skhandas - e tendências negativas – nidhânas -, as últimas das quais precisam de ser trabalhadas, superadas e transformadas em tendências positivas. Também por isso não faz sentido dividir as pessoas pessoas entre boas e más. Talvez um dos maiores ensinamentos que podemos retirar da realidade transitória e contraditória que nos envolve e nos compõe seja esse: o de não fazermos juízos precipitados ou definitivos sobre nada nem ninguém, para melhor ou para pior. Mesmo pessoas consideradas “boas” podem cometer graves erros e pessoas encaradas como “más” podem praticar atos de genuína bondade.
Falando em contradições, Wolfgang Amadeus Mozart, que aos 5 anos de idade já compunha sinfonias e que morreu aos 34 anos de idade deixando uma obra vastíssima, era no entanto conhecido por ser leviano, fútil, ter uma linguagem rude e exagerar na bebida, o que acabou por matá-lo. Diz-se também que Ludwig Van Beethoven era arrogante, bruto e agressivo no trato, ao ponto de não cumprimentar as pessoas que lhe dirigiam a palavra na rua (antes de ter ficado surdo). No entanto, ambos são autores de algumas das mais belas melodias de sempre e são reconhecidos mundialmente como dois dos melhores compositores de todos os tempos. Estes aspetos menos conhecidos de Mozart e Beethoven não diminuem em nada a sua grandeza, mas faziam parte deles tanto quanto o seu génio.
É mais complicado ainda quando falamos das contradições de pessoas que cometeram actos indiscutivelmente maus e criminosos. Um bom exemplo de contradições extremas ao ponto de parecerem inacreditáveis, são os relatos que nos chegaram de sobreviventes dos campos de concentração nazis, de acordo com os quais muitos dos oficiais SS choravam de emoção ao ouvir música clássica… sim, os mesmos que matavam e espancavam os prisioneiros, aparentemente incapazes de qualquer sensibilidade, empatia por outro ser humano, ou de se compadecerem dele. O que significa uma contradição destas? Como se explica?
A história mostra-nos que os perpetradores de algumas das maiores atrocidades que o mundo conheceu estavam geralmente convencidos de que estavam a fazer o correto, o necessário, ou em alguns casos o “mal menor”. Muitos deles poderiam até ser bons pais, bons maridos, amigos dos seus amigos ou carinhosos com os seus animais de estimação, desde que tudo correspondesse aos seus ideais e crenças pessoais. Quando não correspondia, é que os seus aspetos mais obscuros vinham ao de cima, manifestando-se frequentemente no fanatismo ideológico ou religioso e destruindo tudo à sua passagem.
Apesar de todos possuirmos luz e sombra dentro de nós, é inquestionável que existem pessoas com tendências maioritariamente negativas, capazes de cometer atos desumanos e da maior crueldade. Felizmente, existem outras pessoas, com tendências extraordinariamente positivas, que nos inspiram, orientam e alargam os nossos horizontes. Contudo, a generalidade das pessoas parece possuir tendências positivas e negativas em quantidades semelhantes. O estado do mundo é talvez o maior barómetro e a maior evidência de que existe luz e sombra dentro de todos nós.
Esses diferentes aspetos, por mais que pareçam não encaixar nem fazer sentido, têm de ser conciliáveis: o mundo é, afinal, simultaneamente maravilhoso e tenebroso, um reflexo do estado evolutivo da humanidade. E apesar de parecer que pouco podemos fazer para torná-lo melhor, podemos sempre assumir o compromisso pessoal de fazer o que nos for possível para aumentar a nossa parcela de luz e consciência, iluminando e inspirando os que nos rodeiam tanto quanto possível. O mundo e a humanidade agradecerão.
Vera Vieira da Silva

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Vontade de viver, vontade de morrer


Sobre o Mundo e o nosso mundo, sobre a Vida e a Morte, sobre o entusiasmo pela vida e o desânimo que leva a querer morrer, sobre problemas e soluções. O artigo desta semana para o Sapo Lifestyle.

http://lifestyle.sapo.pt/astral/espiritualidade/autoconhecimento-espiritualidade/artigos/vontade-de-viver-vontade-de-morrer


Vontade de viver, vontade de morrer


Algumas pessoas têm sempre um sorriso no olhar, como se na sua vida não houvesse sofrimento, e outras sentem-se tão descontentes que chegam a tirar a própria vida. O que há de tão diferente entre elas? Problemas ou atitudes? 
 

Quando ouvimos a notícia de que alguém cometeu suicídio, presumimos geralmente que essa pessoa tinha de estar num sofrimento atroz. Por outro lado, curiosamente, também presumimos que uma pessoa de disposição alegre e brincalhona teve uma vida de facilidades e nunca sofreu na vida. Ambos são juízos precipitados, que devemos ter muito cuidado ao fazer.

Em primeiro lugar, problemas não são comparáveis, porque as pessoas não são iguais. Cada pessoa lida com as suas dificuldades e com as suas alegrias de acordo com quem é, e na sequência de experiências que teve antes. Não somos neutros, e aquilo que afeta uma pessoa de uma maneira pode afetar outra de forma completamente diferente, ou não afetá-la sequer.

Ouvimos falar de pessoas que passaram por experiências extremamente traumáticas e não perderam a vontade de viver, nem o entusiasmo pela vida. Talvez nós mesmos tenhamos passado por alguma. Não é possível saber exatamente como as pessoas ultrapassam certas experiências, até porque as pessoas são muito diferentes e o que funcionou para uma pode não ser indicado para outra. Mas se sairmos do nosso pequeno mundo e pensarmos no que será viver neste momento em algumas regiões do Congo, por exemplo, um dos países do mundo mais perigosos para as mulheres, podemos encontrar alguns exemplos impressionantes.

Há uns meses vi uma reportagem sobre um médico ginecologista congolês, Denis Mukwege, em que este dizia já ter desabado a chorar inúmeras vezes, quando lhe colocaram nos braços bebés de poucos meses no limiar da morte, após terem sido violadas, assim como as suas mães, irmãs e avós, todas vítimas das atrocidades de guerra civil do Congo. Segundo este médico, a violação em massa é perpetrada e incentivada - frequentemente com enorme crueldade e violência - como forma de humilhar as mulheres, e também os homens, seus familiares. O próprio médico e a sua família sofreram um atentado que quase tirou a vida a um dos seus filhos, por denunciar a violação como arma de guerra, que diariamente testemunha, e tentar ajudar estas mulheres.

Durante a reportagem, sucediam-se as imagens surpreendentes: no hospital fundado por Denis Mukwege, unicamente para auxiliar as mulheres vítimas destes crimes, era possível ver e ouvir algumas delas a cantarem juntas, até a sorrirem, talvez semanas após serem vítimas de crimes inqualificáveis que quase lhes tiraram a vida e que tiraram efetivamente a vida a muitos dos seus familiares. Após o atentado à sua família, o médico ginecologista ausentou-se da prática, mas estas mulheres agradeciam-lhe e cantavam para ele - sabe-se lá a que custo - pedindo-lhe que voltasse. E ele voltou.

Diante de tudo isto pensamos, como é possível ter tanta força e vontade de viver, volta a sorrir após experiências e perdas destas, após tão grande sofrimento? Há situações tão extremas, tão no limite do suportável, que parece não haver escolha nem meio-termo: ou se segue em frente, ou o peso da tristeza seria grande ao ponto de afundar e afogar a pessoa no próprio sofrimento. Estas mulheres são um impressionante exemplo da capacidade de sobrevivência do ser humano, e da sua resistência física, psíquica e emocional.

Regressando à esfera do pessoal, algo que pode prejudicar seriamente a nossa vontade de viver é começar a avaliar a justiça ou injustiça do que nos acontece e acontece aos outros. Por mais que sejamos tentados a fazê-lo, é inútil, e absurdo, como é tudo aquilo que dizemos sem conhecimento de causa. Como justificar que bebés, que mal começaram a viver e não tiveram ainda a possibilidade de cometer qualquer “injustiça”, passem por situações como a descrita acima? Esse tipo de abordagem não faz, portanto, qualquer sentido. Até conhecermos os mistérios e as leis que regem este mundo - e o Cosmos - é melhor procurar as respostas ao que podemos realmente saber, e ao que pode fazer a diferença na nossa vida, nomeadamente, como vivê-la de forma a nos sentirmos realizados e felizes, (o mais possível) independentemente das circunstâncias exteriores.

A dificuldade que temos em aceitar o que a vida nos dá tem muito a ver com as nossas expectativas para ela. Provavelmente, quem nasce num país em guerra ou numa situação de extrema pobreza, não terá muitas expectativas – nunca conheceu outra realidade - para além de conseguir para si e para a sua família o pão e sobrevivência para o dia seguinte, e sair dessa situação. Por outro lado, para quem nasceu num país de primeiro mundo e se habituou a determinados padrões de vida e de riqueza – e também nunca conheceu outra realidade -, deve ser muito difícil ver-se numa situação de desemprego, por exemplo, ou sofrer outra perda que altere substancialmente a realidade a que se habituou.

São tipos de sofrimento muito diferentes, mas ambos válidos, porque o sofrimento sentido internamente é sempre real. Não faz sentido sofrer e, além desse sofrimento, ainda sentir culpa por haver quem sofra mais. Isso seria sofrer duplamente. Mas podemos, e devemos, observar as outras situações, colocar o nosso sofrimento em perspetiva e relativizá-lo tanto quanto possível. A realidade que criamos é algo de extremamente poderoso. Em grande medida, ela não depende de fatores externos, mas das nossas próprias tendências internas e da nossa vontade. Aquilo que nos move, sejam ideias, ideais, ambições ou crenças, são os fios com que tecemos o nosso mundo. E o nosso mundo é a realidade que criamos com o que a vida nos dá, por isso temos sempre a possibilidade de alterá-lo, se o pensarmos de uma forma diferente.

Se uma pessoa quer matar-se por algo que já não tem, seja outra pessoa, um emprego ou um certo nível ou qualidade de vida, etc, é porque a sua vontade de viver depende em grande medida de algo exterior a si mesma, que está sempre condenado a falhar em alguma altura. Então, a nossa vontade de viver não pode depender de algo exterior a nós: ela é e será afectada continuamente por factores exteriores – pessoas, crises, guerras, catástrofes naturais – mas a nossa vontade de viver não pode depender da nada disso.

Fazê-lo, na prática, exige grande esforço, mas em alguns casos, a vontade de viver é talvez a única opção, para sobreviver a algumas experiências limite. É como se a Vida nos testasse e obrigasse a vivê-la com vontade, ou não vivê-la de todo. E se na vida não há como fugir aos problemas, nem existem problemas que se resolvam sem sermos nós a resolvê-los, é provável que após a morte se passe algo semelhante, e que o mesmo problema nos seja apresentado com outra “roupagem” em reencarnações subsequentes, até que a sua origem seja resolvida e neutralizada.

Então, se não há como fugir à vida - nem à morte -, nem como resolver problemas - mesmo com a morte – vamos viver a vida com vontade... e quem sabe, a morte, quando ela um dia chegar! Ela é apenas a face não visível da vida.

Vera Vieira da Silva

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Email v.vieradasilva@gmail.com

artigo do parceiro: Vera Vieira da Silva

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O Direito de Sentir

Artigo publicado no Sapo Lifestyle>Astral em http://lifestyle.sapo.pt/astral/espiritualidade/artigos/o-direito-de-sentir

 

O DIREITO DE SENTIR


O que sentimos é sempre válido, mesmo não tendo lógica, nem explicação. “Sentir” é um direito fundamental de todo o ser humano. Mas o respeito por esse direito - a nossa verdade emocional - tem de começar dentro de nós.


Sentimentos de alegria ou tristeza, de amor ou de ódio, de dor ou de prazer, são sempre um reflexo de algo que existe dentro de nós. Frequentemente tentamos esconder, abafar e compensar o que sentimos, e sofremos com isso… porque não admitimos a nós próprios os nossos sentimentos. Só reconhecendo-os internamente podemos trabalhá-los – sobretudo os que nos causam sofrimento – e aprender com eles.
Quando conhecemos alguém pela primeira vez, e sentimos uma ligação especial a essa pessoa, o que nos fica na memória não são geralmente temas das conversas ou pontos de vista. O que nos fica dessa pessoa é uma perceção baseada no que sentimos quando estivemos junto dela. Seja um olhar, um toque de mãos ou um carinho, o que a nossa memória retém são gestos e momentos, e o que nos fizeram sentir. Sentir é inevitável, e ainda bem, mesmo quando o sentimento é menos agradável.
Além de inevitáveis, os sentimentos não são comparáveis. O que nos dá alegria, ou nos provoca tristeza, é sempre válido e verdadeiro. Temos o direito a senti-lo, independentemente do que outros pensam a respeito. Somos diferentes, e aquilo que para uns é fácil, divertido e traz uma imensa alegria, para outros pode gerar pânico e ser profundamente perturbador. E essas são diferenças que precisamos de respeitar.
Não sabemos por que experiências as outras pessoas passaram na vida, e mesmo se soubermos, não sabemos como elas se sentiram ao vivê-las, nem como se sentem ainda. Por isso, criticar uma pessoa pelo que ela sente - ou não sente - revela insensibilidade, incapacidade de respeitar as suas características e direitos essenciais, e falta de humildade, porque presumimos saber o que é estar no lugar do outro e como o outro deveria sentir-se. Quando dizemos a alguém “sei o que estás a sentir”, estamos a tentar colocar-nos no lugar do outro, mas na realidade isso não é possível.
Além disso, quando não validamos o que outros sentem, dependendo do estado de fragilidade ou vulnerabilidade em que estes se encontram, podemos contribuir para aumentar o seu sofrimento e ainda concorrer para que o seu desequilíbrio psico-emocional. No fundo, é dizer-lhes que não têm direito de sentir o que sentem tão profundamente dentro de si, que não conseguem sentir de outra forma.
Há quem goste de ter motivos para se queixar, mas ninguém escolhe ficar triste, só porque sim. Dependendo do caso, a emoção pode ser trabalhada para que de futuro, numa situação semelhante, a perspectiva sobre ela seja diferente, e esse sentimento não regresse com a mesma intensidade. Mas no momento em que o sentimos, não há como estalar os dedos e deixar de sentir. Se racionalizar sobre o que sentimos fosse suficiente, não existiria sofrimento.
Ao tentarmos ajudar alguém a sentir-se melhor, é importante ter em conta que há um meio caminho possível entre o “excesso” de compreensão e o descaso pela verdade emocional da outra pessoa. Tentar ajudar alguém transformando-o em “coitadinho”, e demonizando outros, retira-lhe a responsabilidade de decidir o próprio caminho e até o poder de controlar o que sente, o que é claramente prejudicial e só reforça a tendência à vitimização. No extremo oposto, dizer a alguém que não devia estar a sofrer porque quem lhe provocou a dor que sente é tão infame que nem merece que sofram por sua causa, é igualmente prejudicial e inútil. Em ambas as situações, quem está a sofrer sentir-se-á pior ainda, porque ambas provocam uma sensação de impotência: no primeiro caso por “culpa” de outros, no segundo por culpa do próprio.
A questão de não devermos sofrer por alguém não faz sequer sentido. Não sofremos ou deixamos de sofrer por dever. Também não sentimos algo por merecimento ou falta dele, nem deixamos de o sentir pelo mesmo motivo. Sofremos porque estamos em crescimento, e as experiências que temos exteriormente reflectem algo no nosso interior que precisa de ser trabalhado. Quem desperta em nós um sentimento, só o desperta, não tem nada a ver com o que sentimos. O que sentimos é nosso apenas.
O lado positivo é que, se o que sentimos é nosso, só nós temos o poder de alterá-lo e não precisamos de outros para isso. Por vezes achamos que uma conversa nos ajudaria a compreender e aceitar uma experiência do passado, o porquê de alguém nos ter feito sofrer. Mas nem sempre essa pessoa está disposta a isso, e mesmo que esteja, aquilo que ela pode ter para nos dizer não é decerto aquilo que queremos ouvir. Se fosse… o passado teria sido diferente.
Continuar a achar que ainda precisamos dessa conversa que nunca chegámos a ter, só vai aumentar a nossa dependência em relação a quem despertou esse sofrimento em nós, e vai fazer com que o nosso foco continue no outro, em vez de estar em nós. Ou seja, em vez de reconhecermos e assumirmos a nossa autoridade para realizar as mudanças necessárias ao nosso bem-estar, estamos a colocar esse poder nas mãos do outro.
Para deixarmos de sofrer e voltarmos a vibrar de alegria e entusiasmo pela Vida, temos de querer. Forçar-nos seja ao que for causa desgaste, frustração e é certamente ineficaz - porque não corresponde à nossa verdade emocional. Tem de haver dentro de nós uma vontade profunda de não sentir mais do mesmo, e de nos desligarmos das experiências que ainda nos fazem sofrer. Só escolhendo não continuar a alimentar essas emoções, retirando a nossa energia e foco dessas experiências, podemos deixar de sofrer.
Precisamos também de ser disciplinados e aprender aos poucos a controlar o nosso emocional, para que de cada vez que começarmos a repetir os antigos padrões, relembrarmos o nosso objetivo e focarmo-nos novamente no caminho…
E o caminho é sempre para a frente.
artigo do parceiro:Vera Vieira da SilvaFacebook https://www.facebook.com/runasdearaci

Artigo #2 na Revista Progredir

Se preciso de ser tolerante ... preciso de mudar algo em mim

Esta é a minha contribuição para a Revista Progredir do mês de Julho, dedicada à Tolerância, uma reflexão propositadamente controversa sobre a palavra, o conceito e a prática. Podem encontrar o meu artigo na página 45 da revista, ou alternativamene, neste link. Boa semana!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Amar, na prática

Artigo publicado no Sapo Lifestyle>Astral em http://lifestyle.sapo.pt/astral/espiritualidade/artigos/amar-na-pratica

Amar, na prática



“O que é o Amor? Como reconhecê-Lo?” Estas devem ser algumas das perguntas de mais difícil resposta... Mas, quer no amor romântico, pela pessoa que temos ao nosso lado, quer no amor universal, por um desconhecido na rua, “amar” é um verbo de prática.
 
 

O mais essencial do Amor, talvez seja o facto deste se definir - sem nunca, realmente, se poder definir – como um verbo de ação. Amor que não é colocado em prática, nem em gestos, nem se reflete na realidade, é um amor feito de palavras, um romance de literatura.

Muitas vezes ouvimos que o Amor não espera nada do outro, mas é bem mais complexo que isso. Exigir amor daqueles que amamos, ou exigir manifestações de amor, não faz qualquer sentido, porque a exigência e o controlo são contra a essência do próprio Amor, que é a da dádiva, aceitação, vontade de conhecer o outro e se dar a conhecer, e a necessidade irresistível de dar amor a quem se ama.

Há contudo um ponto de equilíbrio entre o nada esperar e o nada receber: uma relação só faz sentido se o amor for recíproco, o que não significa que as pessoas amem da mesma forma e o demonstrem da mesma maneira ou com a mesma intensidade. Um amor em que não há compreensão, aceitação, entusiasmo e em que só um dá, talvez não seja digno desse nome.

Não podemos esperar que o outro seja igual a nós, esquecendo-nos que o que fomos buscar no outro inicialmente foi o que era diferente e nos complementava. O “complementar” e não “completar” faz total diferença aqui. Já todos ouvimos que não podemos esperar que o outro nos complete, e que temos de ser inteiros em nós mesmos para nos relacionarmos com outro ser (inteiro), e termos uma relação equilibrada e sadia. Mais uma vez, podemos ter a teoria toda, mas se não a colocarmos em prática, o que vai acontecer é uma relação de dependência, em que um precisa do outro para se sentir feliz por não ser capaz de se fazer feliz a si próprio.

O Amor Universal - o Amor pela Humanidade – é igualmente complexo, apesar de aparentemente parecer simples para muitas pessoas… Não é o Amor Universal em si que é complexo, mas é o senti-lo realmente, vivo no nosso interior, e vivenciá-lo verdadeiramente.

Ser capaz de sentir o Amor Universal dentro de nós é ser capaz de amar a Humanidade por inteiro, em cada um dos seus representantes, ou seja, é ser capaz de amar cada ser humano individualmente, cada pessoa que conhecemos e cada pessoa que não conhecemos. Significa também não criticar e julgar pessoas, povos, nações e culturas, atribuindo-lhes determinadas características (normalmente negativas), generalizando opiniões, distinguindo e separando.

Não é fácil amar aquela pessoa que nos deu um encontrão no metro para entrar antes das outras pessoas saírem, ou amar o vizinho que faz barulho e que por mais que seja avisado teima em por o volume do rádio alto a horas impróprias, ou amar aquele amigo que traiu a nossa confiança, ou amar o pai ou mãe quando por vezes, parece, só nos encontram defeitos.

Por outro lado, é fácil dizer que somos pela Paz & Amor, dizer que defendemos as crianças e os animais, dizer que somos espirituais por termos um momento de sossego e relaxamento na Ioga ou na igreja (ou mesquita, sinagoga, etc) depois de passarmos o dia a criticar os colegas, os familiares e outros tantos. Como encontrei uma vez na Internet, “não adianta fazer Ioga e não cumprimentar o porteiro”.

Por mais que seja impossível definir o Amor - e inútil, na verdade - porque Ele surge em múltiplas formas e adora disfarçar-se, há algo muito simples, através do qual podemos descobrir se estamos diante Dele: tudo o que provoque divisão, separação, dor profunda, mesmo que nos seja apresentado como pretenso amor, não o pode ser, porque o Amor, o verdadeiro, só quer unir, dar e gerar… Amor.

por Vera Vieira da Silva


artigo do parceiro: Vera Vieira da Silva 
 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Artigo #1 na Revista Progredir

O meu primeiro artigo para a Revista Progredir - O que as suas escolhas financeiras dizem sobre a sua maturidade - foi publicado hoje. Podem encontrá-lo na página 38. Espero que gostem ;)

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Nauthiz, a Grande Professora


Artigo publicado no Sapo Lifestyle>Astral
http://lifestyle.sapo.pt/astral/espiritualidade/autoconhecimento-espiritualidade/artigos/nauthiz-a-grande-professora

 

Nauthiz, a Grande Professora


É quando a Vida nos tira o "tapete" e nos sentimos perdidos, caminhando por rumo incerto, que se criam as condições para aprendermos as mais valiosas lições da nossa vida, ao seguirmos por mares nunca dantes navegados... 
 

Já dizia o Capitão Barbossa, dos Piratas das Caraíbas, “Por certo tens de estar perdido para encontrares um lugar que não pode ser encontrado. Caso contrário, todos o encontrariam”... mas aqui o lugar maravilhoso a descobrir, é o que fica dentro de nós.

Caminhar sempre pelo mesmo trilho, ler sempre o mesmo género de livros, ouvir o mesmo tipo de música, encontrar as mesmas soluções, estar sempre com as mesmas pessoas, cristaliza-nos… mata-nos aos pouquinhos. Cantava Amália Rodrigues no fado Meia-noite e uma guitarra (letra de Álvaro Duarte Simões), “Viver é estar-se perdido, morrer é estar onde estou (…). É loucura sem sentido caminhar por onde vou”. Caminhar sempre pelo mesmo trilho, é portanto, ir sempre ter ao mesmo destino, onde nada de novo acontece…

É então que a Vida nos tira o “tapete” – e é porque a Vida conspira a nosso favor que nos tira os "tapetes". Estes são as ilusões de que nos rodeamos, as falsas seguranças e repetitivas ideias a que nos habituámos, que foram cristalizando o nosso ser, fazendo com que deixasse de haver espaço para o novo. E como diz outro personagem fictício do cinema, o grande Mestre Yoda da Guerra da Estrelas: “Tens de desaprender o que aprendeste”.

Quando o arquétipo que a Runa Nauthiz representa age na nossa vida, há constrangimento, limitação e dor. Essa dor é o alerta de que algo está em desequilíbrio em nós e na forma com estamos a viver. E tal como acontece com os pratos da balança, há algo que é preciso acrescentar … ou retirar … para se conseguir o equilíbrio. A palavra-chave a ter em mente é “oposto complementar”. Afinal tudo o que existe é feito de contrastes, de polaridades.

Portanto, para devolver o equilíbrio a algo que vemos como um problema ou um obstáculo e que está a causar-nos sofrimento, há que olhar para o outro prato da balança, e perceber o que na nossa vida está a mais ou está em falta. E para o fazer é preciso auto-observação e auto-análise, ou seja, olhar para dentro. É também essencial que nos vigiemos, para evitarmos cair nos mesmos padrões emocionais e mentais que antes provocaram o nosso sofrimento. Nas palavras de Albert Einstein, “Não se pode resolver um problema com o mesmo grau de consciência que lhe deu origem”.

O sofrimento pode, por vezes, parecer demais, mas “Deus dá-nos aquilo com que conseguimos lidar, mesmo que não acreditemos nisso” (do filme Beautiful Creatures, de Richard LaGravenese). Tudo isso é a Vida disfarçada de Grande Professora, que nos obriga, por (nossa) necessidade, a crescer, fortalecer-nos, e a encontrar soluções criativas e audazes para retirarmos da nossa vida o que nos limita e ainda aprendermos com isso!

Nauthiz faz-nos descobrir, através da limitação e do constrangimento, a nossa própria sabedoria e força interior, revelando dentro de nós os tais lugares que desconhecíamos existirem. Antes de nos encontrarmos, é preciso estarmos perdidos.

Sejamos gratos a todos os grandes Professores que passam pela nossa vida, seja eles livros, filmes, canções, experiências difíceis ou pessoas que nos magoaram. O nosso crescimento e evolução acontecem graças a todos eles.

Vera Vieira da Silva

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email: v.vieiradasilva@gmail.com

artigo do parceiro: Vera Vieira da Silva

Como funciona o Karma?



Artigo publicado no Sapo Lifestyle>Astral
http://lifestyle.sapo.pt/astral/espiritualidade/autoconhecimento-espiritualidade/artigos/como-funciona-o-karma

 

Como funciona o Karma?




O Karma não é mau, nem pode sê-lo. Nem mesmo bom. Karma significa “reação”- a algo que aconteceu antes e que determina o que acontece depois. Podemos alterá-lo? A cada momento. 
 

Temos o hábito de atribuir à sorte ou ao azar o facto de algo nos correr melhor ou pior… relativamente às expectativas que tínhamos. Outras vezes, culpamos ou exaltamos o Destino por aquilo que nos dá, esquecendo o nosso papel e a nossa responsabilidade em criar a nossa própria vida, independentemente de existirem ou não caminhos pré-definidos antes ainda do nosso nascimento. 

Ninguém pode garantir-nos se o Karma e o Destino existem, nem dar-nos certezas que só podem surgir dentro de nós. Mas uma coisa é certa: somos nós que escolhemos como reagir ao que nos acontece. Nós decidimos como agir perante o que a Vida nos apresenta.

A palavra “Karma” é frequentemente utilizada como uma espécie de sinónimo de “castigo”, mas felizmente há cada vez maior consciência sobre o seu verdadeiro significado. Karma é uma palavra de origem sânscrita – uma língua da Índia e das mais antigas da família Indo-Europeia – que significa “reação”. Reação é, por definição, uma resposta a uma ação anterior. Conforme a qualidade dessa ação - qualidade com o sentido de característica ou atributo – assim será a reação que provoca.

De acordo com esta ideia, não existem ações “boas” ou “más”, como não existem pessoas boas ou más. Existem sim, tendências positivas e negativas, dentro de todos os seres. O que chamamos de más pessoas são seres humanos que concentram em si e manifestam através suas ações uma quantidade superior de tendências negativas, que precisam de ser trabalhadas, sublimadas e transformadas em tendências positivas. E esse é um processo longo… de muitas vidas.

“Mal é ignorância, e Bem é sabedoria” (Henrique José de Souza), significa que a maldade é e advém da ignorância, ou seja, do desconhecimento do Homem relativamente às leis cósmicas e relativamente a si próprio. Sem o mínimo conhecimento de como estas leis universais se manifestam e se refletem na sua vida, o Homem terá de cair e levantar-se muitas vezes, até adquirir sabedoria, esse Bem precioso que resulta de todas as suas experiências e é fruto do seu próprio esforço.

E então o que posso fazer para alterar o meu Karma?

A cada momento, nós alteramos o nosso Karma, mesmo sem termos consciência disso. Dependendo dos nossos pensamentos - postos em prática ou apenas pensados – assim será a nossa vida. É por isso que se diz que nós criamos a nossa realidade. Daí a importância do autoconhecimento, e de nos vigiarmos, não de forma castradora e punitiva, mas de forma a nos conhecermos cada vez melhor, e a termos cada vez mais controlo das nossas emoções e da nossa mente, para que estas não andem num constante turbilhão ao sabor de elementos exteriores.

Se não está contente com a sua vida, lembre-se de que está apenas a viver o reflexo daquilo que antes criou e enviou, em atos e pensamentos. Depende de si alterar essa realidade. Para o fazer, conheça-se cada vez melhor, observe-se e observe o mundo, procure conhecer e reconhecer à sua volta as leis que regem tudo o que existe. Comece então a alterar, conscientemente, aquilo que sabe que está em desequilíbrio e que pode ser melhorado. Temos em nós todas as ferramentas de que necessitamos para trabalhar e lapidar o nosso próprio ser... somos uma obra de arte em progresso, e cada um de nós o único responsável pela sua concretização. Basta ter vontade, agir e realizar!

Vera Vieira da Silva

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artigo do parceiro: Vera Vieira da Silva

Os Milagres do dia a dia


Artigo publicado no Sapo Lifestyle>Astral
http://lifestyle.sapo.pt/astral/espiritualidade/autoconhecimento-espiritualidade/artigos/os-milagres-do-dia-a-dia

 

Os Milagres do dia a dia



Todos os dias acontecem milhões de milagres no mundo. Acontecem à nossa volta e nas nossas vidas… a maior parte dos quais tão regularmente, que nem nos lembramos mais que são… milagres.
 
 
Ainda na semana passada um bebé de 4 meses foi encontrado nos escombros do terramoto no Nepal, após quase um dia deste ter acontecido. Um choro ouvido debaixo de quantidades imensas de detritos que tinham enterrado por completo esta criança, salvou-a. Quem viu o vídeo do seu salvamento decerto não o esquecerá. Após longos minutos a escavar e a tentar desenterrar o bebé, os salvadores desta criança erguem-na clamando “Deus é grande!”.

Milagre, do latim, “miraculu”, é por definição, um “prodígio, maravilha, coisa extraordinária”. Geralmente atribuímos à divindade o poder de conceder milagres. Mas todos nós - deuses embrionários - temos esse poder. Sabemos bem que as palavras certas no momento certo, por vezes vindas de completos estranhos que não fazem ideia do bem que fizeram, curam e salvam uma pessoa. Até palavras cruzadas, ditas a terceiros, têm o poder extraordinário de alterar por completo o nosso ânimo e estado de espírito. Um simples sorriso de um desconhecido, é por vezes suficiente.

O maior dos milagres talvez seja essa capacidade que todos temos de continuamente gerar, dar Vida, a nós próprios e a outros. As mulheres e os homens têm ambos capacidade de gerar, de formas diferentes... e algumas semelhantes.

É que não se trata apenas da conceção, gestação e geração de um novo ser, um milagre maravilhoso da Vida que acontece connosco e à nossa volta tão regularmente, uma capacidade exclusiva das mulheres, e das fêmeas, se englobarmos os animais. Homens ou mulheres, de cada vez que damos algo de nós, e nos damos, de forma verdadeira, profunda, sentida, criando uma transformação, estamos a gerar nova Vida. E curiosamente, dentro da palavra “dádiva”, está em anagrama a palavra “vida”.

Seja na forma de um filho, um livro, uma canção, um poema, uma pintura, um sorriso ou mil e uma outras formas de dar vida a uma ideia ou um sentir, em cada gesto carinhoso e amoroso, está sempre presente o Milagre da Vida – que é tudo o que resulta do Amor Universal.

E o fruto, nosso filho, é tudo aquilo que trouxer o novo, a esperança e gerar uma transformação emocional, psicológica, mental ou espiritual em nós próprios ou em outras pessoas. A transformação é a base da evolução. E tudo o que gerar um fruto, será fruto da Vida e do Amor, seja ele amor-próprio ou partilhado.

Como a terra trabalhada e preparada para receber a semente, a runa Inguz parece uma representação desta ideia – a Vida é abundante em milagres. E a capacidade de cultivar e gerar está em todos nós. Contudo, Inguz lembra-nos que para podermos testemunhar esses milagres temos de estarmos atentos e recetivos à sua possibilidade, e pôr em ação o nosso próprio poder de gerar… os milagres não acontecem, realizam-se.

A semente plantada tem de ser cultivada com cuidado e carinho, sem tentar apressar o seu processo e o tempo necessário à germinação, que a seu tempo leva ao crescimento, maturação da planta, e ao fruto. Tudo leva o seu tempo… e frutos apanhados antes do tempo certo não têm sabor, não alimentam, nem possuem as sementes maduras, necessárias ao plantio de novos frutos.
A Natureza também nos ensina isto.

A Todos desejo muitos frutos e muitas realizações do Milagre da Vida.

Vera Vieira da Silva

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artigo do parceiro: Vera Vieira da Silva