segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Medo


Por vezes, somos autênticos escravos do que não dizemos, não fazemos e do que não temos coragem de ser... por medo.

Precisamos de enfrentar o nosso deserto interior - os nossos medos - para descobrirmos que a solidão que tanto temíamos afinal não nos faz sentir sozinhos e que o deserto interior pode ser um vale fértil, um oásis, pode ser o que quisermos - e a paz que essa descoberta origina, vem do facto de sabermos que não estamos a fugir de nós mesmos, nem dos nossos medos, apesar das críticas.

Seguindo a linha de pensamento de Aristóteles, que acompanha esta publicação, quando temos coragem de enfrentar os nosso medos e de nos mexermos - remexendo tudo à nossa volta - há pessoas que não vão gostar, que vão criticar-nos, por vezes simplesmente porque, ao estarmos a enfrentar os nossos medos, estamos a lembrá-las de que não estão a enfrentar os seus... afinal, somos todos os espelhos uns dos outros. 

Enquanto tivermos medos de críticas, vamos fugir, vamos esconder-nos de nós próprios, vai haver muita frustração e muitos enganos. E tudo aquilo que poderíamos trazer de positivo e útil a este mundo, vai ficar por fazer. É um desperdício tremendo, porque a Vida tem tanto mais para nos dar - e nós tanto mais para dar à Vida.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A Foreigner's View on the 2016 USA Elections: Whatever you do, don't vote for Donald Trump!


I am not an American citizen, and I don't live in the United States of America, but I going to tell you what I see from where I stand, because it's unbelievable to me how someone like Donald Trump has gotten as far as becoming a candidate to the White House, a potential president of the USA. As a citizen of this world, and someone who is worried about the outcome of these elections, I feel I have a duty to say something about what is happening.

For the last couple of weeks I have read a lot about both candidates and I've watched a lot of videos - including the presidential debates - and I still can't believe someone like Donald Trump is running for president. I confess I'm frightened by the prospect of these elections because their results will affect not just the USA, but the entire world: international politics, economy, the refugee crisis, etc. Because the available information is too much, I'm just going to focus on the present, the aftermath of the second presidential debate.

A President should be someone you can look up to, someone who has vision, who tries to find sensible and intelligent solutions to complex problems, someone who is able to inspire and connect to people - from all backgrounds - not someone who thinks he is smart for avoiding taxes. And if that wasn't enough, there's that "locker room talk" (that many athletes have said is not the typical locker room conversation)... Donald Trump said he is sorry for that and excused himself by saying he has never said he is a perfect man. We'll, he is not supposed to be perfect - no one is - but he is supposed to be better that most, and possess those qualities I've mentioned above, which he lacks.

Speaking of which, a President should be someone who serves as an example, because, whether they want to or not, they turn into role models: so I ask those still thinking on voting for Trump, do you want your future president to be a person who criticizes and makes fun of people because of their nationality, religion, colour, gender, disabilities or physical appearance? You all know the specific cases I'm referring to, so I won't repeat them here. Also, Trump incites and cultivates fear - specially islamophobia - and violent behaviour, even telling his supporters to punch the protesters at his rallies because afterwards he would bail them out of jail.

Also, although Donald Trump said he was sorry for his disgusting and sickening comments about kissing and touching women without their consent, he dismissed them as "locker room talk". Well, it's not, and that behaviour it not only low, deplorable and unrespectful - specially for a presidential candidate - it's harassment. Apologizing doesn't make it right. Is this person fit to represent your country?!

Many of his supporters defend him by stating that, unlike other politicians, he speaks from the heart: even if that was true, what is it worth, speaking from the heart, when that heart belongs to someone who lacks basic decency?

On the 8th November, remember: even if you don't particularly empathise with the other candidate, Hillary Clinton, you will not just be choosing between two candidates or political parties, you will voting for the possibility of having someone like Donald Trump as the president of the United States of America. For the good of us all, don't let that happen.



Vera Vieira da Silva

Portuguese citizen and citizen of the World





quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Chegou o Outono!

O Outono começa hoje às 15h21 no Hemisfério Norte... A precisão horária é do Observatório Astronómico de Lisboa ;)


Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta.

Fernando Pessoa in "Poesias Inéditas (1930-1935)"



sábado, 3 de setembro de 2016

Die Walküre

A despedida de Wotan da filha Brünhilde, antes de a encerrar no Fogo Mágico, numa das mais belas interpretações que já vi da música de Richard Wagner. Hildegard Behrens e James Morris são, além de maravilhosos intérpretes, excelentes actores... daqueles que nos fazem chorar quando a beleza do que nos fazem sentir já é tanta que não cabe dentro de nós e transborda... Este excerto pertence a um ciclo do "Anel do Nibelungo" considerado histórico no MET de Nova Iorque.


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Siegfried

Desde que vi este filme há muitos anos, fiquei impressionada com a beleza e a originalidade da sua música, sobretudo a que acompanha esta cena do magnífico filme "Excalibur", de John Boorman (1981). Mais tarde descobri tratar-se da Marcha Funerária de Siegfried, personagem da tetratalogia "O Anel do Nibelungo", de Richard Wagner. De marcha funerária esta música tem muito pouco... Wagner expressa como ninguém nesta composição que os heróis como Siegfried (e o Rei Artur, neste filme), quando morrem, tornam-se imortais... se é que não o foram sempre.


Siegfried é um herói lendário da mitologia nórdica e a personagem central da Saga dos Völsunga. As primeiras representações de Siegfried e da sua lenda vieram de representações pictóricas em 7 pedras rúnicas encontradas na Suécia e de outra pedra conhecida pelo nome "Gök" (séc.XI).

terça-feira, 14 de junho de 2016

Na presença das Runas

Ver as Runas com os meus olhos, sentir com as minhas mãos os contornos dos familiares símbolos gravados na pedra há pelo menos um milhar de anos, retirando com os dedos a poeira que se acumulou nas reentrâncias para confirmar de que runa se tratava, foi uma experiência  profundamente significativa para mim. 

Em Skansen, na Suécia, com uma das primeiras
pedras rúnicas que vi, conhecida pelo nome de Ölstastenen.
Estar pela primeira vez na presença das Runas foi como estar perante um portal do Tempo. Senti-me suspensa, apenas sentindo a força e o magnetismo daqueles símbolos há tanto tempo gravados por quem os utilizava, e que até aquele momento eu apenas tinha conhecido e estudado por livros e imagens. Mesmo utilizando regularmente as Runas enquanto oráculo, nunca as tinha sentido como tão "reais"... talvez nunca me tivesse sentido tão ligada a elas até aquele momento. Ao ver e tocar nas Runas, senti uma ligação profunda a elas, senti que faziam parte de mim. Não sei como explicá-lo de outra forma.

As Runas, utilizadas desde 250 a.C., são um sistema de escrita avançado: além de cada letra/runa ter um valor fonético que em conjunto com outras letras/runas forma palavras com significados específicos, cada letra/runa tem também um valor em si mesma, isoladamente. Assim, cada letra dos alfabetos rúnicos está associada a uma força da natureza (relâmpago, árvore, animal, fruto, etc) e/ou um princípio cósmico, geralmente personificada num deus do panteão nórdico. 

Outra pedra rúnica em Skansen
Os antigos povos nórdicos falavam línguas que estão na origem das actuais línguas germânicas (alemão, inglês, sueco, dinamarquês, norueguês, etc) e essa influência e semelhança entre elas é bem visível se compararmos, por exemplo, os nomes dos dias da semana nestas línguas, que correspondem também aos nomes de alguns dos principais deuses nórdicos. 
As línguas proto-germânicas eram amplamente faladas, mas o significado oculto em cada símbolo era conhecido apenas por alguns, segundo se crê, os chamados "druidas", a quem os chefes das tribos recorriam para obter o conselho deste oráculo relativamente a decisões importantes que precisavam de tomar. 

Pormenor da mesma pedra rúnica, com as
runas Nauthiz, Wunjo e Uruz bem visíveis.  
Cada runa, ou seja, cada letra dos alfabetos rúnicos - sendo o Elder Futhark o mais antigo e aquele que utilizo - tem assim um som, um nome, uma grafia e um significado. Muito além de uma letra, uma Runa é a expressão simbólica de um poder ou princípio cósmico, cuja representação é pictográfica e inspirada na Natureza e na sua imensa sabedoria.

Um agradecimento muito especial 
à minha mãe, Helena, que possibilitou 
esta experiência tão importante para mim. 

Vera Vieira da Silva

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domingo, 15 de maio de 2016

When David heard


Esta tarde ouvi o Coro de Câmara do Instituto Gregoriano de Lisboa a cantar "When David heard", de Eric Whitacre, e chorei...

Esta música é sobre o momento em que o Rei David soube que o seu filho Absalão tinha sido morto. David retirou-se para os seus aposentos e chorou, dizendo, "Meu filho, meu filho, quisesse Deus que eu tivesse morrido por ti!" ...

Neste vídeo, é o próprio compositor quem dirige a maravilhosa peça que criou. Só a Música, para transformar tal tristeza em sublime poesia e beleza *

"When David heard" pode ouvir-se a partir dos 15m52s ...

sábado, 14 de maio de 2016

Janis

"On stage I make love to twenty five thousand people; and then I go home alone." 

- Janis Joplin


Ouvi esta citação de Janis Joplin no documentário que saiu recentemente sobre a sua vida, "Little Girl Blue". Esta poderosa afirmação fez-me pensar no assunto durante bastante tempo, porque não percebi o que ela quis dizer. Depois de ver esta actuação de Janis fez-se alguma luz... a entrega dela à música e ao público é algo que impressiona, e emociona. O contraste entre o que se vê neste concerto, e o que acontecia depois deste acabar - ir para casa sozinha - era tremendo. As drogas, que acabaram por a levar tão cedo, eram um refúgio. São sempre um refúgio. Mas Janis foi única e será eterna.





Mais citações interessantes (fonte/source):

"I always wanted to be an artist, whatever that was, like other chicks want to be stewardesses. I read. I painted. I thought."

"Being an intellectual creates a lot of questions and no answers."

"If I hold back, I'm no good. I'm no good. I'd rather be good sometimes, than holding back all the time."

"When I sing, I feel like when you're first in love. It's more than sex. It's that point two people can get to they call love, when you really touch someone for the first time, but it's gigantic, multiplied by the whole audience. I feel chills."


- Janis Joplin 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Raga Bihag


Ragini Shankar - Raga Bihag

"Ragini Shankar is presenting here a beautiful melody on violin in Raga Bihag. This MERU Concert was held on 11 April 2015 at TheaterHotel de Oranjerie in Roermond, The Netherlands. Accompanying her on tabla is Ramkrishna Manohar and on harmonium is Santosh Ghante." [MERU] Source/Fonte